terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Qual Seccionadora comprar? Vertical ou Horizontal? Por que?


Muita gente quando fala em seccionadora acaba generalizando, achando que é tudo a mesma coisa, porém não é. Vou falar um pouco sobre cada uma e seu uso e aí depois vamos tirar nossas conclusões a respeito. E muito comum o marceneiro achar que uma seccionadora vai melhorar sua produção, porém se a compra não for bem orientada você pode terminar com um imenso elefante branco na sua marcenaria. Nem sempre tamanho e funções via botão são as melhores opções na hora de cortar. E fato que a seccionadora (quando com a serra certa e a manutenção em dia) irá cortar com mais precisão que a boa e velha esquadrejadeira e acaba com aquele velho habito de passar os cortes no desempeno. Porém se você procura produtividade e trabalha com móveis sob medida sentirá que uma seccionadora vertical talvez não te dê a velocidade que você precisa, isso porque o processo de corte se torna um pouco moroso, pois a chapa fica parada e quem avança e a serra ou o conjunto riscador e serra. Agora imagine cortar quatro gaveteiros, gabinetes de cozinha inferior com sarrafos, portas de várias larguras... Aí a coisa fica um tanto quanto complicada. Essa é uma seccionadora simples horizontal a qual costumamos chamar de produto de entrada:




Essa e uma versão simples com carregamento manual de chapas e sem avanço automático de corte e sem impressão de etiquetas de corte. Geralmente o marceneiro quando pensa numa seccionadora é essa imagem que lhe vem à cabeça. Essa seccionadora atenderá as expectativas de quem quer uma máquina fácil de operar, porém precisa de um corte com mais precisão. E muito comum vermos em marcenarias de pequeno porte os marceneiros e ajudantes usarem a seccionadora como se fosse uma esquadrejadeira, cortando de tudo nela. Isso acaba com a máquina e joga o preço da manutenção lá nas alturas. E uma máquina que vai ser muito útil para cortar laterais de armários, peças retas em geral sem muita variação de medidas no plano de corte, haja visto que você precisa movimentar muito a peça na máquina para fazer diversos cortes, isso implica em perda de tempo e riscos de danificar as peças.

Quando o marceneiro, porém já está em um estágio onde ele já consegue programar sua produção de armários de quarto e cozinha e tem um padrão mesmo que mínimo já estabelecido para fabricar esses itens ou outros que sejam passíveis de padronização, vemos esse produto como um produto atrativo:




A seccionadora com pinças e uma máquina que a priore faz a mesma coisa que uma seccionadora sem pinças, porém ela consegue efetuar o corte automaticamente empurrando a chapa para frente e para trás. Esse modelo já tem na sua carcaça um monitor e um teclado onde são programados os cortes e também onde fica a impressora de etiquetas. E muito comum encontrar máquinas como essas sub utilizadas em marcenarias fruto de uma compra sem orientação. Essa máquina além da precisão da anterior traz como benefício o avanço e retrocesso da peça acoplado, o que eleva o grau de precisão a níveis surpreendentes. E uma máquina que conversa com sistemas de gestão onde o plano de corte pode sair diretamente de um programa de ERP ou do Promob Cut ou do Corte Certo ou do Lepton. Além de gerar etiquetas ela apresenta no seu visor um modelo da chapa a ser cortada. Porém para o mercado sob medida onde se precisa cortar rápido peças de medidas muito variadas no mesmo plano de corte essa máquina também será lenta.

As seccionadoras verticais a meu ver são as ideais para o mercado sob medida, pois quem se movimenta é o carrinho de corte, e não a chapa, o que torna o processo de corte super rápido e menos cansativo para o operador. Essas máquinas ocupam um quarto do espaço de uma seccionadora horizontal e sua manutenção e bem mais barata. A troca da serra e do riscador na maioria das marcas acontece em uma posição extremamente favorável ao operador o que torna o setup e a manutenção muito curtos contribuindo para que todo o processo seja mais rápido. Muitas já vêm com a impressora de etiquetas, porém para sistemas de automação aonde a informação vem direto de um programa ERP o processo teria mais duas etapas, pois dependeria do operador. A produtividade que ela proporciona em peças de medidas variadas acaba compensando um processo a mais na hora de cortar e mesmo que o operador precise parar para "ler" o plano de corte. Todas elas precisam de uma rede de ar purgada e um bom sistema de exaustão. Quanto mais sofisticadas mais delicadas elas serão na sua manutenção e na prevenção contra defeitos.

Concluindo: Se você quer fabricar móveis sob medida e não quer automatizar nada e precisa de velocidade nos cortes sua máquina será uma seccionadora vertical. Não vou me referir as seccionadoras de maior porte ou aos centros de nesting porque não e esse o foco. Já tive a oportunidade de implementar os três tipos aqui citados e posso garantir que lendas urbanas como o efeito banana que alegam existir nas seccionadoras verticais é coisa de máquina com péssima manutenção ou operadores negligentes, porque estando a máquina em boas condições ela irá cortar tão bem como uma seccionadora horizontal.

Outro ponto importantíssimo a ser visto na hora de comprar uma máquina destas é a hora técnica e a base instalada do fabricante na sua região. Isso pode tornar um investimento que a princípio pareceu barato em uma dolorosa conta no final do processo.


















+Anderson Martins

Consultor Especializado no Ramo Moveleiro.
Ministra cursos de Promob por todo o Brasil e dono do maior grupo do Facebook direcionado ao assunto: Promob: Dicas e Ferramentas