sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Projetando Cozinhas / Abordagem Técnica de Marcenaria sob Medida:

Cozinhas Populares

Abrindo o Debate:



Postei este vídeo no nosso Canal no Youtube para abrir o tema para discussão...
Como mencionei no vídeo, a maior missão do projetista de móveis sob medida é criar soluções para o cliente evitando quebrar paredes que ocasiona desperdício de dinheiro, trabalho, matéria prima e dor de cabeça, e mesmo assim projetar uma cozinha atualizada, bonita e funcional.
Quebrar paredes deve ser o ultimo recurso a ser usado e quando isto for necessário devemos passar ao cliente a responsabilidade de correr atrás dos tramites legais e da execução da intervenção. 
Salvar revestimentos antigos já é uma tarefa mais difícil e nem adianta se opor ao cliente que acaba optando por trocar pisos e azulejos, gesso, pintura, etc... Até aí normal, mas quebrar paredes são outros quinhentos. Devemos sempre lembrar, vide Resolução 51 do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), que intervenções são atribuições dos arquitetos e engenheiros apenas, há uma reserva de mercado referente a isso. Fora que em condomínios residenciais e espaços comerciais como shoppings se tornou obrigatório recolher RRT/ART para qualquer obra, até para uma simples pintura, tudo deve ficar documentado e acompanhado por um responsável técnico devidamente habilitado.

Cumprido as devidas exigências burocráticas, eis que agora o negócio é com os ESPECIALISTAS, no caso aqui com os Projetistas de Móveis sob Medida, toquemos o barco...

Pois bem... Muitas vezes pegamos o apartamento já com a pedra de granito instalada com grapas ou com as infames mãos-francesas, aliás, regra básica para liberação do “Habite-se”, isto já engessa o projeto, pois define todo o layout da cozinha, sobrando ao projetista muito pouco a fazer neste sentido, e assim a criatividade vai ser toda focada nos módulos e na estética dos mesmos, como escolha de impressos de MDF, perfis puxadores, ferragens, aramados, etc. Só devemos propor modificações quando o erro de lógica na pedra for muito grave ou quando o cliente planeja instalar um eletrodoméstico incompatível com o que já está pronto. Fora isso, a escolha dos eletrodomésticos também fica restrita e deve ser muito bem conduzida pelo projetista que deve ficar atento quais podem ser inseridos ou não conforme espaço e infra-estrutura disponível. Quando não houver a infra-estrutura necessária ou foi instalada em local inadequado conforme as especificações técnicas dos fabricantes é dever do projetista avisar o cliente o quanto antes das mudanças necessárias para este resolver a questão junto ao responsável técnico da obra.

Regra básica de um bom projetista: NUNCA TER PREGUIÇA DE LER MANUAIS!!!

Sempre digo ao cliente que ele não precisa comprar os eletrodomésticos antes de fazer os móveis, mas precisa sim decidir a compra, ou seja, já escolher qual marca e modelo vai comprar para poder baixar o manual na Internet para projetar os móveis seguindo as especificações técnicas dos nichos dos mesmos. Obviamente o cliente deve ser avisado do risco de escolher modelos especiais que no dia da compra pode não estar disponíveis nos estoques das lojas causando assim transtornos. No caso de presente de casamento é aconselhável combinar com os padrinhos qual modelo será comprado, isto já virou algo banal e cotidiano, todos entendem a necessidade de tal prática.
Obviamente que comprar os eletros o quanto antes é mais garantido, mas isso depende das condições de cada um, e como explicado, isso não é empecilho a um projeto bem elaborado sob medida. Cabe ao bom profissional contornar a situação.
Os eletrodomésticos de uma cozinha podem envolver elétrica, hidráulica, esgoto, ventilação e tal... Geladeiras com gelo na porta, por exemplo, precisam de ponto hidráulico que quase nunca estão previstos na obra. Neste caso cabe ao projetista sugerir ao cliente que fale ao responsável técnico da obra para fazer uma instalação de uma mangueira ou cano por baixo da pedra de granito ou do rodo-base ligada ao ponto de água da torneira da pia ou da lava-louça. Isso também vale para a própria lava-louça que é um eletro pouco usado e sempre esquecido na hora de distribuir a infra-estrutura na obra. Em último caso cabe ao cliente correr atrás do que é necessário para quebrar a parede e instalar a infra-estrutura nos locais demarcados pelo projetista.

Layout...

Devemos discutir o layout antes de qualquer outro detalhe, é o ponto de partida. Conforme mencionado no vídeo e logo acima, a maioria das vezes pegamos os apartamentos já com o granito instalado definindo todo o layout, mas quando a obra ainda está crua a geladeira é determinante na criação da proposta 3D, pois se seu posicionamento não for bem pensado o projeto pode matar toda a estética e função dentro da cozinha e fatalmente diminuir sensação de espaço. Fora que a porta da mesma pode bater em outros móveis, gaveta não abrir ou ter que ficar pedindo licença aos convidados sentados na bancada ou mesa para acessar a geladeira, situação chata para não se dizer trágica (rsrsrs).
Pesquisem sobre a famosa triangulação dos eletrodomésticos nas cozinhas, pois realmente é um erro de projeto grosseiro posicionar a geladeira longe demais do fogão e da pia, por exemplo. Como também misturar área de trabalho da cozinha com a área de uso coletivo, isso gera desconforto e acidentes, é uma questão de segurança isolar quem está cozinhando ou lavando a louça.
Tente sempre posicionar as bancadas de uma forma que facilite a comunicação visual e verbal dos visitantes com a cozinheira, pois hoje em dia a cozinha virou o lugar preferido de atender as visitas, isso principalmente nas famosas "cozinhas americanas" onde a sala é integrada à cozinha. 
Toda vez que pegar uma Cozinha Americana pra projetar faça uma proposta para a sala também, pois esta vai fatalmente interferir na cozinha podendo gerar conflitos. Se o cliente comprar um sofá maior, por exemplo, pode querer que você altere a posição da bancada ou coisa assim.
Evite ao máximo de colocar geladeira ao lado do fogão, caso não haja outra solução faça um nicho para a geladeira para dar uma mínima separação e ventilação.
Converse bastante com o cliente sobre possibilidade de estações de trabalho em ilha quando a cozinha for quadrada e generosa no tamanho. Tanto o fogão quanto a pia podem ocupar este espaço. Mas nunca esqueça que coifas de ilha são mais caras, mais complexas de instalar e exigem infra-estrutura adequada (forro de gesso, passagem para sistema de exaustão opcional, pois a coifa pode ser usada no modo filtrante apenas, ponto de energia na voltagem específica, furo na laje, etc...).
Pense em bancadas de apoio, aparadores, mesas ou bancadas para refeições rápidas e tal. Sobre as mesas para refeição rápida sempre lembro o cliente que sujar dois ambientes para toda e qualquer refeição pode ser algo cansativo para manter a limpeza e tal.
Ao analisar os layouts possíveis insira o cliente nesta reflexão, se imaginem usando a cozinha, abrindo as portas do cômodo, dos armários, da geladeira....Cozinhando, lavando a louça... Recebendo as visitas, conversando... Etc...
Quanto menos armários, melhor! Não tente empurrar o que o cliente não precisa, deixe sempre ele pedir mais armários ao invés de você, pois caso contrário a mensagem será negativa, como se você fosse um vendedor que está interessado apenas em faturar mais e mais sem ética alguma, e você antes de vendedor é PROJETISTA, sua função é vender a melhor solução, e lotar a cozinha de armários quase nunca é a melhor solução. O verdadeiro lucro é vender e deixar o cliente satisfeito com todo o processo além da qualidade dos móveis em si.

Patamar ou Rodo-base?

Eu sempre tento aconselhar ao cliente fugir do patamar de alvenaria, pois se der vazamento a água fica empoçada entre a base do gabinete e o patamar apodrecendo tudo rapidamente. Fora que o cimento muitas vezes demora muito pra ter a cura completa transpassando umidade à base do gabinete, mofando e causando mau cheiro. Fora que vira um ninho de baratas. Somado a tudo isso é difícil um pedreiro fazer o patamar respeitando o recuo recomendado para o encaixe da ponta dos sapatos possibilitando assim uma boa ergonomia ao usuário (recuo de 5cm em relação ao gabinete e 10cm em relação à largura da pedra), fora a questão estética e funcional, pois anula problemas de alinhamento da base com o patamar, seguindo o recuo adequado mesmo que o patamar esteja levemente torto isso não seria denunciado visualmente pelo móvel.
Eu padronizei fazer meus projetos com rodo-base de granito de 10cm de altura e recuo de 5cm em relação ao gabinete. Para isso eu fixo pés de madeira com recuo de 7cm prevendo a espessura da pedra e esta vai colada com silicone ou massa plástica neste apoio e depois devidamente rejuntada, assim não entra água e nem baratas. (Detalhe: Mantenha a casa limpa que as baratas não gostam e vão embora. Kekeke. Não ponha a culpa toda nos vãos dos móveis. hehehe).
Com o rodo-base de granito fica uma caixa lacrada, se houver vazamento a água fica empoçada longe da base e o gabinete não estraga fácil. Aí basta destacar o roda-pé de granito e fazer a limpeza após manutenção.
De qualquer forma, tanto o rodo-base quanto o patamar, são recomendáveis, pois facilitam a limpeza e evitam objetos que insistem em cair debaixo do gabinete como talheres que dão o maior trabalho para resgatar. Muito prático além de proporcionar uma maior percepção de continuidade, uma idéia de sob medida ainda maior, mais agradável esteticamente.
Não recomendo colocar o fogão de piso e a geladeira sobre patamares, pois isso dificulta demais na limpeza, imaginem uma dona de casa de idade avançada tentando mover a geladeira lotada de alimentos para limpar atrás... Impossível! Inviável! Erro de projeto de fato.

Máscaras?

Chamamos de máscaras os gabinetes embutidos em paredes e patamar de alvenaria que muitos clientes optam fazer com a esperança de economizar nos móveis além de poder protelar a execução dos mesmos.
Eu particularmente não defendo esta solução por N motivos, pois quase nunca o pedreiro consegue seguir o esquadro, além de perder espaço com as espessuras maiores da estrutura de alvenaria em comparação ao caixote de madeira. Mas se for feito sugiro uma altura mínima de 10cm no patamar e recuo de no mínimo 3cm de toda a estrutura em relação à largura da pedra de granito da pia, pois assim o marceneiro pode fazer o batente das portas auto-arrematáveis com guarnição em “L” já fixa, aí é encaixar, chumbar, ajustar e pegar o cheque, pois qualquer tortura fica oculta.
Recomendo revestir com azulejo totalmente, pois a alvenaria como já mencionado demora a ter a cura completa, fica suando, úmido. Fora que assim fica mais fácil manter a limpeza.

Rebaixar o teto com forro de gesso...

Recomendável, pois isso possibilita fazer armários até o teto com menor área e por conseqüência menor custo mantendo eles embutidos no teto passando assim maior percepção de sob medida mantendo a continuidade e fluidez. Fora que o forro possibilita posicionar a iluminação mais adequadamente, pois é comum aos construtores alinhar o ponto de luz levando em consideração o meio do teto com a cozinha sem armários (colocou os armários fica fora de centro sempre), como também sem prever pendentes sobre mesas e bancadas. Outra vantagem do forro de gesso é que ele permite embutir as luminárias e spots evitando possíveis conflitos com a abertura das portas dos móveis. Fora a estética mais limpa seguindo as tendências contemporâneas. Lembrando que deve ser previsto no projeto executivo dos móveis quando estes vão até o teto, o cliente deve ser instruído a decidir se vai ou não fazer antes de liberar os móveis para produção, e o serviço de gesso deve ser executado antes da montagem dos móveis.
Muitas marcenarias preferem nem tocar neste assunto para não correr o risco de ter que amarrar a montagem dos móveis por causa de um possível atraso do gesseiro, mas como meu foco é sempre buscar a melhor solução pros meus clientes evitando esta correria lunática modernista de volume x lucro, eis que sempre levanto tal questão, principalmente, por outra ótica, para não correr o risco de chegar na casa do cliente e me deparar com um teto rebaixado sem aviso prévio, pois clientes eufóricos com a casa nova adoram meter os pés pelas mãos. Hehehe

Vejam bem que não defendo aqui o projetista de móveis bancar o designer de interiores, mas sim prever todas as possibilidades no briefing do projeto dos móveis para efetuar o melhor trabalho possível. Somente quem é designer de interiores ou arquiteto formado deve se aventurar a vender projetos extras mais abrangentes, porém para quem se especializou em móveis sob medida isso pode representar um tiro no pé por N motivos, tal serviço extra deve ser conduzido com cautela para não prejudicar a atividade principal. Mas todo e qualquer item decorativo que pode interferir no projeto dos móveis deve ser debatido, seja com o cliente, seja com o profissional envolvido. O foco do projetista de móveis não é vender projeto, e sim vender o móvel seguindo a melhor solução, um móvel sob medida de fato. 

Medidas padrão e demais questões técnicas abordando projeto, execução e montagem:

# Eu sigo sempre a altura acabada de 90cm para a pedra de granito e balcões auxiliares.
Rodo-base de 10cm de altura conforme mencionado;
# Nicho para microondas conforme especificação técnica do eletrodoméstico escolhido pelo cliente com base à 45cm de altura em relação ao tampo de granito ou pia;
# Armários aéreos com 60cm de altura em relação à pia e 30cm de profundidade para evitar o usuário bater a cabeça ao lavar a louça;
# Nicho para geladeira e armário sobre o mesmo costumo fazer com 60cm de profundidade;
# Torres para forno e microondas também faço com 60cm seguindo as especificações dos eletros e tendo dividir em pelo menos dois módulos ou em último caso monto na obra para evitar a exposição de emendas. Jamais tento levar uma Torre montada para obra, pois além de ser um esforço desnecessário, a peça pode ser danificada facilmente e não caber no elevador. Aliás, NUNCA SE ESQUEÇA DOS ELEVADORES quando dimensionar módulos, assim como corredores e escadas. Os módulos tento sempre dividir pensando na possibilidade de um montador conseguir transportar e chumbar sozinho, sendo assim evito fazer peças grandes e pesadas;;
# Roda-teto sigo o padrão de 6cm, mas depende da moldura de gesso. Quando há forro de gesso, dependendo da situação faço o caixote colado no teto;
# Meu padrão é MDF de 18mm 2 faces total branco, madeirado ou unicolor;
# Nichos para fogão de embutir e forno + cook eu sempre deixo a ventilação oculta por baixo no recuo do rodo-base;
# Nicho para fogão deve sempre alinhar com a profundidade da pedra de granito para evitar aqueles famosos encaixes e tomar cuidado com os acabamentos boleados, estes devem prever a união com acabamento reto na aba do fogão. Medidas conforme manual técnico de cada fabricante e modelo. Lembrar o cliente das regras de não cruzamento de fios e mangueiras de gás, posicionamento adequado e tal;
# Não uso tamponamento e até já postei no Blog um belo texto falando deste tema: Tamponamento é Crime! Mas quando é pra reformar cozinhas antigas o tamponamento caí bem, Veja o Link Aqui;
# Prefiro optar por perfis puxadores para evitar conflitos entre abertura de portas e gavetas tendo em vista que estes ficam embutidos além de ter caído no gosto do público. Também evita conflitos com os clientes na escolha e compra dos mais diversos modelos de puxadores convencionais disponíveis;
# Costumo comentar sobre a possibilidade de inserir ferragens e aramados especiais no projeto, mas deixo o cliente comprar à parte para este custo não complicar os cálculos do meu orçamento e se tornar mais uma responsabilidade e agravante no financiamento. O importante é projetar os módulos já prevendo a instalação de tais ferragens e aramados;
# A bancada embutida para refeições vai depender muito do projeto e tipo de banco a ser usado, temos o banco baixo para tampos com 80cm de altura, médios para tampos com 90cm de altura alinhados com a altura da pia, e 100 à 110cm para bancos altos muito usados em bancadas que separam a sala da cozinha integrada. O tampo precisa ter no mínimo 35cm de largura para caber um prato e um copo e as pernas ficarem com o mínimo de conforto sem bater os joelhos na parede;
# E sobre basculantes nos aéreos que vão até o teto costumo dizer que se o cliente vai ter de qualquer jeito subir em uma escada para alcançar os objetos, eis que pode aproveitar para fechar a porta, pois entre os projetistas há grande controvérsia nesta questão;
# Devemos ficar atentos para as escolhas do cliente em relação à pedra de granito, pois um acabamento 45 graus com saia de 5, 8 ou 10cm vai obviamente interferir na altura dos módulos para que a altura acabada da pedra não saia do padrão assim como o vão inferior ou rodo-base;
# Quando houver patamar e pedra de granito já fixada pela construtora é recomendável deixar pelo menos 1cm de folga na altura, pois há a famosa caída tanto na pedra quanto no patamar;
# Jamais faça o modulo com a lateral encostada diretamente na parede de canto, faça sempre um reegrosso de 2 ou 3cm de largura para a lateral não puxar umidade da parede e para as portas e gavetas não rasparem na parede conforme variação de esquadro. Fora que isso possibilita prever edições nos módulos caso necessário;
# Regra básica na montagem dos caixotes é a lateral fixada sobre o topo da base e chapéu no caso de aéreos e travantes no caso de gabinetes. Isso é uma questão estrutural, pois imaginem o peso dos objetos sobre a base sendo sustentados pela rosca dos parafusos sobre o topo das laterais... A base ia cair rapidamente, desmontar. Já as cantoneiras de fixação precisam ser instaladas nas laterais dos módulos;
# Outra regra que todos que trabalham com móveis sob medida seguem é não colocar fundo nos gabinetes e balcões, pois isto vira ninho de baratas, mofa fácil e dá mau cheiro. Já os aéreos é recomendável ter fundo para travar os módulos, por estética e organização, pois as paredes possuem torturas que os móveis denunciam deixando vãos que enroscam objetos e acumulam sujeira. Arrematar tudo por dentro seria loucura mais cara do que o fundo, economia porca;
# Orientar o cliente a exigir da marmoraria que a pedra seja embutida na parede pelo menos 1cm é recomendável, principalmente quando há vão livre, pois basta o gabinete ceder 1mm para começar a infiltrar água entre a pedra e o frontão de granito. Isso deve ser feito pelo menos na área molhada da pedra. Passar tais orientações ao cliente agrega valor técnico ao briefing e evita futuro desgastes com manutenção do móvel, mesmo que isso não seja responsabilidade da marcenaria;
# Sempre dou ao cliente o direito de optar por uma cristaleira, basculantes com vidro serigrafado colorido ou pintura fria sobre, vidro extra clean que possibilita uma pintura verdadeiramente branca, refleta, mini-boreal, espelho, etc... Algumas vezes quebro a fluidez com alguns nichos e até as famigeradas adegas e cantoneiras dependendo do caso quando quero dar uma ar mais retro/vintage à cozinha. Quem é projetista sabe que tais itens foram abolidos e são repudiados pelos modinhas de plantão;  
# Quando o cliente tem uma geladeira pequena, mas planeja futuramente trocar por uma maior, faço o nicho para a maior e fecho na altura com um módulo de garrafeiro que pode ser removido para possibilitar a troca;
# Em módulos de canto dos gabinetes sempre tento especificar portas com dobradiças Robocop (130 graus de abertura), isso facilita o acesso total a este espaço. Existem ferragens giratórias específicas para estes módulos de canto com qualidades e custos variáveis, sempre deixo o cliente optar pelo uso das mesmas;
# Tento sempre fugir de portas de correr para gabinetes, pois além da possibilidade de manutenção ser maior o recuo da porta interna quebra a fluidez estética dos módulos. Fora que se perde 7cm na profundidade do móvel;
# Para armários em “L” ou cozinhas em “U” se torna indispensável verificar o esquadro entre as paredes envolvidas e tirar os ângulos com uma suta de madeira que podemos transferir a marcação com lápis sobre retalho de MDF de 6mm, eu faço assim. Este tipo de cozinha com ângulos especiais é o tipo de serviço que só as marcenarias sob medida fazem, só as melhores. hehehe;
# Em caso de paredes fora de plumo jamais devemos trazer tal defeito para o móvel, isso se resolve nos arremates;
# Falando de arremates, os embutidos são os melhores, mas quando não é possível apelamos para a chapa fina pregada ou colada com cola instantânea. Sempre dou um toque final com massa corrida, mas muitos criticam tal prática;
# Uma ação recomendável é passar fita crepe larga sobre as corrediças telescópicas antes de chumbar os módulos e só tirar depois que a marmoraria fazer o serviço deles para evitar encher de areia, pois depois só mesmo limpando com cotonete ou trocando as corrediças para resolver isso, verdadeiro transtorno. Tirar as corrediças também é uma saída, mas prefiro a fita crepe;
# A maioria das cozinhas que faço hoje em dia os clientes estão fugindo de usar o MDF Branco, a moda agora é o Madeirado com Textura mesclando talvez com MDF laca brilhante de cores variadas ou madeirado brilhante, tanto da Eucatez quanto da Duratex;
# Existe o MDF Ultra da Duratex que é mais resistente a água, aquele com miolo verde, mas que só existe com acabamento branco que muitas marcenarias padronizaram usar para áreas úmidas (cozinha, lavanderia e banaheiros). Outros optaram por usar o Painel de Compensado Sarrafiado revestido com Laminado Melanímico de Alta Pressão (Fórmica) de fábrica, mas já caiu em desuso devido ao custo elevado e a maior possibilidade de pegar cupim. Não defendo o uso destes materiais por não achar assim tão necessário, mas busco sempre manter o cliente informado e livre para escolher a melhor opção no ponto de vista deles. A marcenaria possui esta liberdade por comprar somente o material do serviço em questão, como também poder trabalhar com todos os fabricantes de MDF que os fornecedores disponibilizam, não perdemos mais um serviço por não ter um acabamento específico como antes;

(Aguardem mais edições... Estudo em andamento, pretendo transformar isso numa apostila).

Sigam minhas postagens no Instagram, também:


Curtam nossa página no Facebook: @madearBrasil

Projetista Marceneiro com 18 anos de Experiência no Mercado!!!




  

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

[Automação]: Uma aula de CNC com o Alessandro da MOGNO Projetos Exclusivos




Ontem tive o prazer de passar algumas horas na marcenaria, ou melhor, na Indústria de Móveis do Alessandro Andrade, a MOGNO Projetos Exclusivos em Santo André, ABC Paulista.
Eu já trabalhei com ele no início de carreira há mais de 17 anos atrás quando ele ainda estava trabalhando com seu pai, o senhor Abdon, no Jardim Estela... Bons tempos! hehehe

Toda vez que a gente se encontra o bate papo é longo, eu sempre digo que é um modernista (ele) dialogando com pós-modernista (eu), pois nossos formatos de atuação no mercado são antagônicos, ele está para a engenharia assim como eu estou para a arquitetura, mas mesmo assim falamos a mesma língua, nós dois nascemos dentro da marcenaria tradicional, cafungamos pó de marcenaria há anos, verdadeiras ratazanas. kkkk

Obviamente a estrelinha da linha de produção dele é este Centro de Furação da Homag BHX 055. Gravamos um vídeo amador demonstrando o funcionamento dela. Recomendo desligar o áudio, pois o barulho da máquina é só pra quem curte Rock  Roll PESADÃO. kkkk




O Alessandro é o típico inventor incremental, ou seja, aquele cara que pega as máquinas, desmonta e monta tudo de novo do jeito dele adaptando à sua metodologia produtiva. Prova disso é que quando cheguei na oficina o cara tava destruindo a seccionadora para instalar um medidor digital. kkkk



No Centro de Furação BHX foi outro exemplo deste espírito evolucionário, pois uma das regras da máquina é que não pode dividir peças, mas ele conseguiu arrumar um jeito de fazer raios usinando/debastando todo o material descartado no processo sem deixar resíduos maiores que não podem ser aspirados pelo coletor. O cara é o cara! Até mesmo o fabricante duvida das coisas que ele faz com o CNC, virou referência.

Tempos atrás questionei ele: Alessandro, por que um Centro de Furação ao invés de um Centro de Usinagem? A reposta foi uma única palavra: GAVETAS!!!

Todos sabem que produzir gavetas é a tarefa mais complexa e demorada em qualquer marcenaria, e o Centro de Furação permite fazer furação de topo para se trabalhar com Cavilhas + Minifix, ou seja, é a máquina mais adequada para produzir gavetas e demais sistemas de montagem em armários em geral. O Centro de Usinagem é mais para trabalhar faces de painéis e coisa assim, permite separar peças e tal.

Em 2011 ele foi numa feira na Alemanha e voltou decidido a padronizar o uso da Corrediça Invisível com Amortecimento Extração Parcial da BLUM, pois sua furação é mais padronizada do que qualquer corrediça telescópica comum, antes ele se matava para criar programas de marcação para instalação de corrediças na CNC e na montagem dava tudo errado, daí descobriu que a furação das telescópicas era fora de centro e não seguia padrão universal entre os fabricantes. Detalhes que fazem toda a diferença para quem realmente produz. Ele também descreveu vários fatores defendendo o uso da corrediça invisível, lembrou até de um móvel antigo da Florense que ele modificou para uma cliente no inicio de carreira onde havia uma jogada que fazia a corrediça base branca ficar invisível, já naquela época, preconizando tal tendência atual.




Suas gavetas anulam o uso da Contra Frente, economia de matéria prima e tal ... Utilizam duas cavilhas e um minifix na frente e só cavilhas atrás, tudo colado, até o fundo, travado no esquadro. Estrutura de 15mm para evitar o rebaixo que é necessário fazer para instalar a corrediça invisível na lateral de 18mm além de economia no custo da chapa. Como a produção dele é grande vale à pena trabalhar com espessuras diferentes de chapa, já em marcenarias pequenas o recomendável é fazer tudo com a mesma espessura por N motivos...
Suas gavetas obviamente são universais, ou seja, não possuem RG e CPF como fazemos na marcenaria tradicional ou de menor porte.

Agora vamos ao grande orgulho do Alessandro: Suas planilhas do Excel para gerar o Código de Barras que orienta toda a produção!!! hehehe




Não só na produção com as máquinas ele é um inventor incremental, no Excel ele exagerou, passou anos elaborando vários programas criando uma biblioteca personalizada de módulos que atendem a qualquer cômodo de uma residência e até projetos comerciais e corporativos, porém sua especialização é móveis residenciais.

A grande sacada é que o CNC reconhece para a mesma tarefa uma variação enorme de medidas, não é necessário cadastrar peça por peça, apenas um código que representa toda uma tarefa. A etiqueta vai orientar as medidas juntamente o plano de corte, detalhes como cortes 45 graus que a CNC não faz, descrição da peça, cliente, armário, tudo. A etiqueta se tornou a alma da produção de fato. Da Planilha do Excel basta copiar os dados e colar no Corte Certo, ele vai gerar o Plano de Corte e as Etiquetas, aí é só imprimir.


A união do Antigo com o Novo:

Nem todos os processos é possível fazer com a CNC ou valem à pena, principalmente quando são peças trabalhadas, fora do padrão e em pouca quantidade...
Ele desenvolveu um acabamento 45 graus, por exemplo, TOP demais, porém foi obrigado a voltar às raízes fazendo um gabarito para a boa e velha tupia de coluna estacionária, e bora abusar do sistema analógico. hehehe

Filhão! Filhão! Vou copiar! kkkkk

Esse gabarito permite fazer 45 graus de forma simples e rápida além de poder repassar se precisar. Deixa um dente de mais ou menos 4mm, deve dar um trabalho danado no acabamento manual, pois com certeza a Coladeira Automática FODAAA que ele tem não faz. kkkkkk Mas o resultado estético é BOMBÁSTICOOO!!!! Show! TOP demais!!!!






O escritório dele conta com um ambiente favorável para os parceiros designers e arquitetos trazerem seus clientes com uma mostra de cozinha, armário de quarto e outros móveis de ponta seguindo as tendências atuais que ele acabou de ver em sua última viagem à Milão na Itália. Ele é grande defensor desta linguagem internacional, globalizada. Já eu sou mais a brasilidade sem muito se preocupar com o que é feito lá fora, mas bem sei que acabo sendo influenciado e respeito. Fato!



No atendimento ele conta com a atuação da Ellen, que é Técnica em Design de Interiores com grande domínio do Promob Plus. As parcerias e os demais clientes podem contar com a ferramenta 3D no processo projectual, o Alessandro faz questão de ceder o 3D para seus clientes, designers e arquitetos, assim como a total assessoria técnica e o mais amplo leque de ferragens de alto nível, seu forte.



Bom pessoal... Realmente o Alessandro possui conteúdo demais para dividir, é uma bagagem imensa. Esse cara nasceu dentro da marcenaria e como estudou engenharia acabou absorvendo muito fácil essa tendência da automação e hoje nem bem sabemos se podemos chamar sua empresa de marcenaria, está mais para Indústria mesmo!

Espero que tenham gostado e qualquer dúvida postem lá em nossa página no Facebook: madearBrasil.

Av. Firestone, 1320 - Casa Branca, Santo André - SP

Curtam também a página da Mogno Projetos Exclusivos!!!


Santo André, 07 de Fevereiro de 2018.

Luiz Mariano
Autodidata apaixonado por marcenaria, design, arquitetura, arte, debate, filosofia, ...



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

[ABIMAD 2018]: StarMobile & Sérgio Gomes, uma parceria de sucesso!!!


Poltrona MON - Sérgio Gomes

Hoje dei uma pausada no meu trabalho e fui lá conferir a ABIMAD, uma feira que termina amanhã exclusiva para Lojistas, Designers e Arquitetos. Na verdade a feira serviu de desculpa para conhecer o amigo de longa data de debates no Facebook, o designer Sérgio Gomes e sua Poltrona MON inspirada no Museu Oscar Niemeyer. hehehe



Sérgio Gomes (direita), o Ademir diretor da StarMobile (meio) e eu.

Passamos horas conversando sobre a feira e sua peça, daí perguntei como foi o trajeto seguido até a MON chegar na ABIMAD...???

Sérgio Gomes:

"Em 2015 decidi inscrever a Poltrona MON no concurso da Movelsul que é organizado pela SINDIMOVEIS. Sabendo da necessidade de um modelo em caso de classificação para a 2 fase, contatei a Diana Kinzelmeyer que estava à frente da SINDIMOVEIS... Ela sem entender pediu pra ver o modelo e assim indicar um fabricante que tivesse o perfil, foi quando ela me apresentou a StarMobile, fabrica de estofados de Garibaldi - RS. O Ademir, diretor comercial da Star recebeu meu projeto e não mediu esforços para que o tornasse realidade... Depois de um primeiro protótipo em madeira e estofado, chegamos na fibra de vidro e hoje em 2018 é uma das peças mais complexas e orgânicas da ABIMAD 2018."

Quando é pra criticar eu critico e todos sabem disso, mas a Poltrona do Sérgio realmente tem uma boa ergonomia além de uma estética agradável, suas formas seguem organicamente o corpo dos usuários proporcionando um enorme conforto, eu sentei, ou melhor, deitei nela e adorei.
O Sérgio passou horas explicando como foi o processo criativo, as associações com o traço modernista do Niemeyer, suas curvas, o vão livre, o olho do museu, etc...

Em nosso bate-papo de hoje nós dois concordamos que a feira e as peças expostas são de alto nível, de muito bom gosto. Eu cheguei a dizer que alí percebi que nada sei de Design de Móveis Comercial de fato, que tenho muito a aprender para que um dia uma criação minha também mereça estar exposta num ambiente deste. Quem curte mobiliário de alto nível entre outros objetos decorativos não vai se arrepender em fazer uma visita, ainda dá tempo, amanhã (sexta, 02/02/18) é o último dia. 

O que me deu bastante orgulho foi saber que meu extinto grupo do Facebook, Marcenaria BRASIL, que agora substituí pela página madearBrasil (Marcenaria, Design e Arquitetura Brasil) assim como este Blog e o Projeto Áquila foram ferramentas importantes em todo este processo que influenciou o Sérgio Gomes, que é designer de interiores formado pela UNICESUMAR, de Maringá - PR, a criar produtos e montar marcenaria. Mais um doido perdido no mundo! kkkkk

Agora bora falar um pouco da StarMobile Estofados...

A maioria das peças apresentadas pela StarMobile na feira é de autoria da designer Marta Manente, de Bento Gonçalves - RS, que é formada em Tecnologia em Produção Moveleira e pós-graduada em Design de Produto com enfase em móveis.


Designer Marta Manente





É evidente que esta empresa caiu de cabeça nesta forte tendência do móvel autoral e se tornou grande parceira de designers talentosos como a Marta e o Sérgio. Grande sacada a meu ver que em breve vai ter peças expostas em Milão na Itália, show de bola, muita moral de fato.

E QUE MAIS EMPRESAS SIGAM ESTE EXEMPLO!!!


Sérgio Gomes - Troop Design

StarMobile - Página Face

ABIMAD - Página Face

Marcenaria, Design e Arquitetura Brasil - madearBrasil

Luiz Mariano
(Autodidata apaixonado por marcenaria, design, arquitetura, arte, filosofia,..... Pela Vida!!!)



domingo, 28 de janeiro de 2018

Coleção das Peças Assinadas pelo Autodidata Luiz Mariano:

Cadeira Leque - Primeira Criação (Retalhos de MDF)

Sou Luiz Mariano, 37 anos, nascido e criado em Santo André ABC Paulista.
Na virada do milênio, com 20 anos, eu montei minha marcenaria num barraquinho 3x3m na frente da casa da minha mãe na comunidade CruzadoII no Jardim Santo André e não parei mais. O foco inicial foi, e ainda é, fazer móveis projetados sob medida, mas por brincadeira acabei desenvolvendo este hobby de fazer peças artísticas de mobiliário utilizando sobras de material da marcenaria e madeiras achadas na rua, no lixo, nas caçambas, no mato... Isto passou a ser uma atividade muito prazerosa que me ajudou muito a controlar minha ansiedade, pois sou uma pessoa exageradamente ativa e atiro pra todo lado, kekeke, to sempre inventando moda.

Minha proposta com as peças artísticas sempre foi gastar pouco ou zero aproveitando os materiais disponíveis seguindo a natureza dos mesmos, ou seja, intervindo o mínimo possível além de assumir um traço despojado e provocativo. Gosto de brincar com o senso comum e quebrar pequenas regras propositalmente. Gosto da intervenção da geometria sobre as formas orgânicas, ou seja, peças geométricas de madeira maciça somadas aos troncos, galhos e raízes. Como também adoro brincar com conceitos, mesmo quando estes não apresentam resultados estéticos extraordinários.

Minha primeira criação é a Cadeira Leque que está na capa desta publicação. É uma peça executada na tupia copiadora usando 100% retalhos de MDF dos móveis sob medida. Como podem ver, fazer uma peça artística utilizando o MDF, que é um material industrializado sem valor artístico agregado, foi a minha primeira provocação, deu o que falar, hehehe.

Com esta publicação encerro a Coleção 2017 que inclui as peças executadas anteriormente. 25 peças ao todo, mas existem vários estudos em 3D que vou deixar ocultos enquanto não forem prototipados. Como é uma atividade extra, minha produção é limitada e despretensiosa. Faço porquê sei fazer e gosto de fazer, mas já andei vendendo algumas peças e presenteando parentes com outras. Estou engatinhando e não tenho pressa de levantar e sair correndo. kkkk

Até o fim do ano apresento a coleção 2018, aguardem...

Aparador Nice (Peroba Rosa, outros e MDF Laca Amarela)

Banco Centauro (Raiz e Peroba Rosa)

Banco do Paraíba (Assento de Crochê)

Banco Erótico (Madeiras encontradas em entulhos pelas ruas)

Banco Gafanhoto II (Peroba Rosa e Roxinho encontrados no Barranco)

Banco Pantera Azul (Poste Antigo de Favela Naturalmente Oco)

Banco de Eucalipto (Escoras de Obra)

Baqueta de Retalhos de MDF e Fita de Borda

Cadeira CDHU (Tudo retirado do lixo)

Cadeira Lamartine (Tronco encontrado jogado no mato)


Cadeira Poletta
(Sobras de Cedrinho, Compensado com Topo Aparente e Folha de Rádica)

Luminária Bipolar (Galhos e CX de MDF)

Luminária Coral (Galhos e Grades de Cama Velha)

Luminária Piramboia (Sobras de Cedrinho)

Mesa de Centro FX (Formas criadas por uma Função de X de Primeiro Grau)

Mesa de Centro GEO (Geometria aplicada)

Mesa de Centro Pé de Galinha
( Tronco infestado de Cupim posteriormente queimado e MDF Laca Amarela)

Mesa de Centro Sushi (Eucalipto Escora de Obra)

Mesa Pitanga (Raiz de Pitanga Encontrada na Rua)

Mesa X  (100% Retalhos de MDF)

Suporte para Flores ou Skate, rsrsrs (Galhos encontrados no Barranco)

Suporte de Vinho Pitanga (Parte da Raiz de Pitanga Encontrada na Rua)

Trono do Caçador (Troncos de Goiabeira Encontrado na Rua)

Tábua de Carne Yara
(Peça criada para a Arquiteta Yara Cianci que foi parar na Casa Cor SP 2017)

Luiz Mariano
Autodidata apaixonado por marcenaria, design, arquitetura, arte, filosofia, ... Pela vida!



quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Fablab / Clube do Arduino - Filosofia do Código Aberto em Prática:



Clube de interessados e entusiastas em Arduino sediado no Fablab livre SP da Galeria Olido.
-- Reuniões --
Local: Fablab da Galeria Olido
Data: toda quinta
Horário: das 14h às 18h
Quem pode participar? Quem sabe e quem não sabe sobre Arduino. Quem tá afim de aprender, dividir conhecimentos, projetos e fazer coisas piscarem, girarem, falarem e tudo mais que se possa imaginar com um Arduino.


Fablab / Clube do Arduíno SP - Curta o Grupo no Facebook

Visita à Oficina - Galeria Olido - 18/01/208 - Quinta:

Hoje a convite do amigo arquiteto, Sérgio Hespanha, que está entusiasmado por ARDUINO... Fui lá em São Paulo do lado da Galeria do Rock conferir o trabalho espetacular deste grupo que segue a filosofia do código aberto, ou seja, um ambiente onde ninguém esconde o ouro e todos trocam conhecimento técnico livremente além dos debates corriqueiros sobre os mais variados temas relacionados ao trabalho e interação entre as gerações. Na mesma roda de samba estava representantes da geração X, Y e Z trocando ideias, ouvindo e falando, engenheiro, arquitetos, estudantes, marceneiro, hehehe. Multidisciplinar de fato! 

Fomos muito bem recepcionados pelo pessoal e tivemos uma aula de LÓGICA DE PROGRAMAÇÃO e um longo debate de ideias com o Engenheiro Químico, Sr. Carlos, que é um entusiasta do Arduíno, que trouxe um protótipo de um aparelho multitarefas que exigiu uma programação mais complexa. Ele passou o endereço de sua página (Link AQUI) onde explana com detalhes um outro projeto.

O que me deixou mais impressionado foi o espírito colaborativo e inventivo do ambiente, lembrou muito a moda do "Faça você mesmo!" que dominou os grupos de MARCENARIA nas redes sociais, porém com uma pegada mais séria e técnica a meu ver.

Nos debates um ponto que fiz questão de levantar é que no universo da marcenaria já estamos bem avançados nesta filosofia de difundir conhecimento livremente, critico a qualidade e as intervenções manipulativas dos fornecedores no meio assim como a ação das agências de marketing via fakes, mas no meio do joio há o trigo. Mas no universo do DESIGN e da ARQUITETURA precisamos urgentemente quebrar tal barreira que tem como agravante a presença do egocentrismo acadêmico, visão exacerbada sobre direitos autorais e reserva de mercado, entre outros. Todos concordaram!

FAÇAM UMA VISITA!!!

ACOMPANHEM O GRUPO NO FACEBOOK!!!


O que é Arduino?

Arduino é uma placa que consegue ler informações de botões e sensores de vários tipos como movimento, som, luminosidade, umidade e, através de um processamento, transforma em saídas para controlar luzes, motores e outros atuadores. Esse processamento é feito através de um código que você pode criar para controlar seu projeto! 
Utiliza uma comunicação USB de fácil manipulação.




Do que se trata a Fablab?

O Fab Lab Livre SP é uma rede de laboratórios públicos - espaços de criatividade, aprendizado e inovação acessíveis a todos interessados em desenvolver e construir projetos. Através de processos colaborativos de criação, compartilhamento do conhecimento, e do uso de ferramentas de fabricação digital, o Fab Lab Livre SP traz à população de São Paulo a possibilidade de aprender, projetar e produzir diversos tipos de objetos, e em diferentes escalas.

Os laboratórios são equipados com impressoras 3D, cortadoras a laser, plotter de recorte, fresadoras CNC, computadores com software de desenho digital CAD, equipamentos de eletrônica e robótica, e ferramentas de marcenaria e mecânica. Os Fab Labs Livre SP contam com uma equipe dinâmica que incentiva o aprendizado compartilhado e a criatividade através do fazer, realizando cursos e orientando o desenvolvimento de projetos.

Frutos de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da Prefeitura Municipal de São Paulo e o Instituto de Tecnologia Social, os Fab Labs Livre SP são abertos e acessíveis a todas as pessoas que tenham interesse em aprender, desenvolver e construir projetos coletivos ou pessoais, envolvendo tecnologia de fabricação digital, eletrônica, técnicas tradicionais e práticas artísticas.

São oferecidas oficinas, cursos e palestras, disseminando a produção do conhecimento em tecnologia, ciência, arte e inovação. Através de um processo humanizado as atividades de ensino estimulam o compartilhamento da informação e construção coletiva de ideias. Os Fab Labs Livre SP democratizam o acesso às novas tecnologias de fabricação digital, disponibilizando à população ferramentas tecnológicas de última geração e vivência em grupo em um ambiente colaborativo e inovador.

Ao todo são doze laboratórios que integram a Rede Publica de Laboratórios de Fabricação Digital, abrangendo todas as regiões do Município de São Paulo. A rede de laboratórios Fab Lab Livre SP objetiva fomentar o desenvolvimento de ideias criativas e inovadoras que beneficiam a comunidade e o surgimento de novas oportunidades profissionais.

(Fonte: SAIBA MAIS / LINK)

Amostras de Corte à Laser

Peças cortadas pela Router CNC

Amostras do Potencial da Impressão 3D

Máq. Corte à Laser


Luiz Mariano
Autodidata apaixonado por marcenaria, design, arquitetura, arte, filosofia,... Pela Vida!!!
www.marianomoveis.com.br

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O que é DESIGN??? A eterna guerra dos termos...



Num debate em nossa página no Facebook, madearBrasil, como sempre as divergências em relação ao que é ou não design entraram em voga...
Tava eu me deslumbrando com os paranaues do dyzainy de cunho artístico autoral, meu hobby aliás, quando o professor de design de produto Marcelo de Resende da UEMG postou uma observação (entenda como provocação, rsrsrs, puxada de orelha mesmo!):

"Não confundam design com artesanato ou arte. Design implica necessariamente em produção seriada a partir de conceitos planejados." (Marcelo Resende)

Confesso que me senti honrado pela provocação, pois adoro debater o que eu não entendo com quem entende da coisa. kkkk Sou maluco, eu sei! Sempre fui, sou um millennial do caralho, comportamento típico dos mesmos isso. hehehe "NORMAL"!

Luiz Mariano:
"Concordo e não concordo.... Design possui várias vertentes.... O autoral de cunho artístico transcende esta filosofia modernista da produção em série, foco, força e fé, volume, eficiência e tal........ Ele caminha no muro que divide o design por ti citado e a arte. Não possui barreiras, quebra regras e cria outras. É o campo das experimentações, da provocação dos sentidos, da percepção em terceirirade. Um jogo de erro e acerto, fazer coisas ridículas que todo mundo curte e coisas fantásticas que ninguém liga. Kkkkkkk AS COISAS SÃO ASSIM..... O autoral provoca egos e vende status, porém a proposta aqui é reverter está situação e passar a vender status e provocar egos, apenas pra fazer diferenTIM! Kkkkkkk... Ou não!"

Marcelo de Resende:
"Para fazer diferente invente outro termo pq design é outra coisa."

Luiz Mariano:
"Seria uma opção! Como também seria outra opção aceitar que o design é um termo amplo utilizado para especificar, ou melhor, generalizar várias linhas de atuação inter-relacionadas. A grosso modo é como você dizer que design de produto é design de verdade, design gráfico é questionável e design de interiores é decoração, coisa assim. Design se tornou um Deus, cada um tem o seu e o interpreta ao bem querer. Fato fractal áureo.
O que posso fazer para me redimir é fazer uma matéria no Blog tentando elucidar as diferentes vertentes do design e sub-vertentes, ou especializações e tal.... Não posso afirmar, por exemplo, que o design não está contido na cenografia, e vice-versa, são intrínsecos e tal..."

Segue o print da curta conversa que motivou este post aqui no Blog e a tentativa de desmistificar o tema:












Detalhe: Isto segue minha proposta de usar as redes sociais para algo mais. (...)

O que é DESIGN?

Ao ler o artigo do site Wikipédia que define o que é design passei a entender melhor a provocação do Marcelo de Resende, pois tudo o que ele falou está lá estampado:

"O design [dizáin][1] é a idealização, criação, desenvolvimento, configuração, concepção, elaboração e especificação de artefatos, normalmente produzidos industrialmente ou por meio de sistema de produção seriada que demanda padronização dos componentes e desenho normalizado. Essa é uma atividade estratégica, técnica e criativa, normalmente orientada por uma intenção ou objetivo, ou para a solução de um problema." (Veja Mais)

Como sempre os acadêmicos seguem suas cartilhas, mais do mesmo, SEMPRE! hehehe
Mas o próprio artigo admite que existem abordagens diferentes que coexistem atualmente. Fica evidente que aqui no Brasil os designers de produto, outrora denominados desenhistas industriais, foram os primeiros a adotar o termo "design" e com isso ficam ressentidos com a proporção enorme de novas vertentes que se apoderaram do termo causando uma generalização e banalização total do mesmo.

Ao pesquisar melhor podemos concluir que o termo "design" abraça duas significações, uma abstrata que se refere ao ato de designar, criar, planejar... Outra concreta que se refere ao ato de desenhar, porém o desenho como parte do processo criativo na criação de produtos e soluções.

É neste sentido que continuo a defender o design de cunho artístico autoral como sendo sim uma legítima vertente do DESIGN, pois segue a essência do design de aliar forma e função transcendendo tudo para uma reflexão em terceiridade provocando todos os sentidos dos observadores/usuários. Pode ser peças únicas como peças produzidas em pequena escala de forma artesanal, semi ou totalmente industrial. Fogem da classificação de arte pelo fato de possuírem uma forte preocupação funcional embutida.

Outras opiniões... 

=> Paulo Oliveira, designer de interiores:<=

Fui trocar ideia com o professor de Design de Interiores, Paulo Oliveira, de Londrina - PR via Messenger e finalmente tivemos uma conversa produtiva, minha proposta é coletar a visão do que é ou não design no ponto de vista de cada uma das vertentes reconhecidas como design de fato...

Paulo Oliveira:
"De forma bem rápida, contrapondo os argumentos dos dois: Podemos dizer que design, na forma como ele coloca, pode ser entendido como desenho industrial 'ipsis litteris' (pelas mesmas palavras). Esse sim tem produção seriada e em larga escala. O Design atual não tem essa necessidade pois os usuários estão cada vez mais individualizados cabendo, portanto, criações específicas, únicas, autorais e que vão muito alem do design assinado fruto de 'Status Quo'." 

Luiz Mariano:
E o design pelo ponto de vista apenas de interiores?

Paulo Oliveira:
"Entra nisso que escrevi sobre o design não industrial. Afinal, devemos considerar as necessidades e particularidades de um usuário (ou um grupo familiar ou de clientes) com um projeto exclusivo, autoral e único baseado nas metodologias, técnicas e conceitos do DESIGN."

Luiz Mariano:
Você diria que o individualismo assim como a preocupação com a evolução espiritual voltou com força total neste contexto pós-moderno contemporâneo ..... e que o designer de interiores está mais antenado nestas novas tendências comportamentais???

Paulo Oliveira:
"É realmente um traço importante nos projetos de interiores porém não só esse. Os principais são a segurança, o bem estar, a ergonomia - plena - e o pertencimento (eu/identidade) nos espaços para todos os usuários. Os DInt sempre se preocuparam com isso tudo Mariano. Quem passa por cima e faz modinha são os arquitetos que fogem da construção civil e fazem decoração."

Luiz Mariano:
Acredito que o design de interiores de certa forma rompeu com a filosofia modernista, você concorda? Que ele atende uma demanda mais exclusiva, sob medida... Ele adéqua soluções criadas para o coletivo....enquanto o DP x Produção em Série cria soluções coletivas... desprovidas de personalidade individual e tal.....

Paulo Oliveira:
"Sim. Por isso estilos pouco importam para a gente. Conhecemos, identificamos elementos mas não impomos nada Afinal, o espaço é do usuário e não nosso ou para capas de revistas.
O argumento do Marcelo de Resende é perigoso. Ele exclui profissionais renomados e premiados internacionalmente apenas porquê suas produções não são seriadas. Vide Maurício Azeredo.
Design é um aglomerado de conhecimentos, metodologias e técnicas especificas, geralmente com foco no usuário e na identificação e solução de seus problemas. Podem ser aplicados em diversas áreas de diversas formas como temos visto atualmente, incluindo a educação onde temos o design Thinking/ design de serviços/ instrucional/ interiores e ambientes/ etc mudando as escolas e a forma de ensinar. A questão de necessariamente ter de ser industrializado para ser design é uma visão antiga, ultrapassada e egocêntrica que não cabe mais na atualidade."

Vejam essa matéria da Habitus sobre o surgimento do Design Assinado nos anos 80. Fala do Maurício Azeredo entre outros nomes consagrados do mobiliário autoral brasileiro=> (AQUI!!!)


=> Marcelo Barros, designer gráfico:<=

O Marcelo Barros, designer gráfico do Rio de Janeiro, aceitando o convite para participar deste tópico postou suas opiniões na página madearBrasil e tivemos um breve debate:

Marcelo Barros:
"Olá Luiz Mariano e Marcelo de Resende tentarei dar meus "pitacos" aqui, trazendo livremente minhas opiniões:
Arte é diferente de Artesanato que é diferente de Design que é diferente de Arte que é diferente de Artesanato...
Como o Marcelo de Resende disse antes:
"Não confundam design com artesanato ou arte".
"Design implica necessariamente em produção seriada a partir de conceitos planejados".
Design é Projeto e com específica intenção de ser industrializado!
Porém existe uma "incerta" união de várias áreas!
E pelo que percebo, em outros países, como também aqui no Brasil, o "Design" é um termo amplo.
Porém aqui ainda percebemos o "Design" como algo banal, que se aprende em qualquer lugar, pra se criar/fazer qualquer "coisa"!
Ou então percebemos o "Design" como "Lindo", "Arrojado", com alto teor de beleza, chamado então de "Arte"!
- Design é a criação de "algo", com base em conceitos de Projeto (planejamento esquemático), ou seja tendo "necessariamente" uma base industrial, e que deverá ter a finalidade de ter uma produção seriada.
- Arte é a criação de "algo", com ou sem Projeto, e com nenhuma intenção de ser industrializado, ou seja "NUNCA" deverá possuir a intenção de ter uma produção seriada.
Artesanato é a criação de "algo", com Projeto, e que deverá possuir a intenção de ter uma produção seriada/industrializada de modo "caseiro"."

Luiz Mariano:
Porém onde o design gráfico se enquadra nesta visão? Tendo em vista que também é design.... E as novas vertentes atreladas ao gráfico? E você concorda com está visão de atrelar totalmente o design à indústria x produção em série? Não há design fora dos portões das fábricas?

Marcelo Barros:
"O Design é a função/profissão de quem é/era formado em ''Desenho Industrial'', como os antigos Designers. Pois o termo ''Design'' foi especificamente dado aos profissionais formados por uma Instituição daqui do Rio de Janeiro, a ''ESDI'' (Escola Superior de Desenho Industrial).
Porém pode ser também a Cadeira ''Design'' de quem estuda Comunicação Social."


Luiz Mariano:
Então as novas vertentes se apoderaram indevidamente dos termos: design/designers?
Por esta lógica até os DG se encontram fora da Lei e da Ordem? Rsrrs 
E tal termo não possui origens externas? Quais?
Marcelo Barros: 
"Design nunca estará desassociado da indústria, pois ele só é ''Definido'' pela Produção em Série!
O que costumam chamar de ''Design'' atualmente NÃO é Design, é somente ''Desenho'', ou melhor, um ''Desenho Arrojado, ou Requintado, ou Elegante (ou seja, só bonito)''!
Design tem função, um objetivo definido de comercialização, ou seja de promoção, de marketing.
O termo Design é bastante interessante e complicado pra se traduzir, porém deve-se percebe-lo no âmbito do Marketing, no de projeto com função objetiva e comercial. E não no de desenho meramente ilustrativo, ou de beleza."

Luiz Mariano:
Genérico!!!! Se o Marcelo de Resende tivesse afirmado que isso não é design de PRODUTO com raízes Bauhauenses de lá Tcheraaa, eu não iria polemizar, mas.... Deu pano pra manga.... Kkkkk Design não é estático! Está em evolução contínua.... Na verdade essa é sua maior missão! Está mais voltado às necessidades humanas individuais, mais próximo do ser do que a Arquitetura que é algo mais voltado ao uso coletivo.....O design de produto também segue esta filosofia modernista de tentar forçar soluções universais ao maior número de indivíduos possíveis, padronizar medidas, por exemplo, num universo que não segue padrão algum, .....Mas gostei da discussão.... Antes de falarmos de Design no Blog e aqui na página devemos primeiramente reverenciar os espíritos ancestrais, se é que me permite a metáfora.... Vamos elucidar as origens do design e suas posteriores ramificações. Hehehe Em breve! Aguardem!!!

Marcelo Barros:
"Design não é estático! Está em evolução contínua!
Porém o Design é um dos ''frutos'' da Revolução Industrial.
Hoje tem vários estilos, desde o mais barato até o mais caro.
Porém está voltado, e sempre esteve, a atender as necessidades humanas globais, porém atualmente dizendo serem ''individuais'', voltado prioritariamente ao uso coletivo.
Todos os ''Designs'' seguem a filosofia de encontrar a melhor solução de usabilidade/aceitabilidade pelo maior número de indivíduos possíveis, padronizando tudo.
E isso pra ser aplicado em massa. Industrializado.
Pode ''parecer'' orientado às necessidades individuais, porém isso é só pra encarecer o produto/serviço, tentando se ''assemelhar'' a Arte."


Luiz Mariano:
Não concordo! Design de interiores, por exemplo, rompeu com esta filosofia modernista e segue o conceito dos móveis sob medida, onde processos e conceitos da indústria são adaptados à produção de soluções que atendem as necessidades individuais de cada caso ou até de cada usuário, como do cliente deste cliente quando tratamos de projetos corporativos ou comerciais. ......... Costumo dizer que segue uma filosofia pós-modernista onde Menos é muito Pouco!!! Tal atuação é também uma vertente do design que coexiste com o desenho industrial...... DG já um caso a parte que dá suporte a todas as demais vertentes, um comunicador.

Marcelo Barros:
"Você fala sobre móveis sob medida ser um projeto individual?
Ok. Me diga o que é o ''Cartão de Visita'''?
Posso ter a total liberdade na criação dele? Ou só posso me utilizar das ''formas'' específicas à ele? Como fontes? Tamanhos de fontes? Escolher as Formas (retangulares, circulares, lineares...)? Escolher as cores? Escolher Figuras?..."

Luiz Mariano:
Móveis sob medida utiliza design, mas não é definido como tal.... Usei para exemplificar o conceito........... E DG é um caso à parte.... Sim! Ele cria soluções "sob medida" também! Criar marcas, identidades e tal..... Nada a ver com produção em série de soluções universais. Passamos a girar em círculos aqui. Estamos falando a mesma coisa com símbolos arbitrários (palavras, rsrrs) diferentes.


Conclusão FINAL: 

Cada um pode e deve tirar a sua própria conclusão, mas no meu entender há uma disputa entre reacionários e revolucionários do design e um esforço cada vez maior de atrelar ao termo um ar de seriedade técnica para com isso tentar agregar valor e doutrinar o senso comum que entende o design como sendo apenas uma preocupação estética ou/e artística, desprovido de um estudo mais elaborado.
Acho isso importante, mas de forma alguma o trabalho de profissionais sérios que dedicaram e dedicam suas vidas às novas vertentes deve ser desprezado. 

O PRECONCEITO contra o que é novo deve ser COMBATIDO!
Assim como o preconceito contra o DESIGN e os DESIGNERS!!!

A meu ver basta deixar claro ao grande público que há varias vertentes do DESIGN coexistindo e mostrar o valor de cada uma delas separadamente.

O design de cunho artístico autoral de peças únicas ou em escala limitada, principalmente no mobiliário, é uma nova modalidade que está ganhando destaque na mídia e isso está gerando desconforto, mas obviamente este veio pra ficar e terá seu lugar ao sol. 

E digo mais...
E o famigerado design que foca o belo pelo belo não deixa de ser design também, apenas possui um enfoque diferente que atende uma demanda efêmera, líquida, fluída, supérflua, modista... Mas movimenta um estrondoso capital, e dinheiro é coisa séria, logo... 

O design já é um termo bastante valorizado, mas os designers também são?


Luiz Mariano
(Autodidata apaixonado por marcenaria, design, arquitetura, arte, debate, filosofia,... Pela Vida!)
www.marianomoveis.com.br