terça-feira, 13 de junho de 2017

Reflexão sobre Direitos Autorais:






Poltrona Mole de Sérgio Rodrigues.


Propriedade intelectual sob suspeita...

Ser copiado é o auge do sucesso!

Foi com esta frase que um debate interessante surgiu no grupo Marcenaria BRASIL. O membro Victor A. Ferraz postou uma queixa muito comum a quem se propõe a criar produtos e serviços inovadores: A CÓPIA!!!  E eu fui obrigado a rebater com uma visão menos pessimista sobre este tema que infelizmente funciona como agente desmotivador e paralisante na mente dos criadores. Lembrei até de um vídeo que vi de uma entrevista com o Sérgio Rodrigues, o famoso e já falecido designer criador da igualmente famosa Poltrona Mole. Neste vídeo o Sérgio demonstra muito rancor dos copiadores, chega a citar um chinês que em um evento o abordou e o agradeceu dizendo que pagou a faculdade de suas filhas copiando a Poltrona Mole. O Sérgio também revelou que demorou mais de 10 anos para a poltrona dar retorno, o cara ganhou o prêmio internacional com ela e achou que tinha acertado na loto, ilusão, doce ilusão a meu ver. Com certeza este rancor o prejudicou muito, mais até que a ação inoportuna dos copiadores.

Eu defendo que tais produtos autorais, as estrelinhas, são forte ferramenta de marketing apenas, uma forma de fazer seu nome no mercado e agregar valor aos produtos e serviços genuinamente modernistas, o famoso “arroz c/ feijão", produtos e serviços simples e funcionais que atendem às necessidades básicas e imediatas dos consumidores. Um exemplo seria ter uma linha de peças de cunho artístico autoral em paralelo aos móveis sob medida no caso de marcenarias. Ou executar criações autorais de designers em troca de divulgação conjunta. Já no caso de designers e arquitetos analiso que a jogada é continuar a atender as demandas de projetos e demais serviços atrelados comumente. Outra questão que a Arte da Guerra nos ensina: Quando você não consegue combater determinada força, use-a ao seu favor... Faça seu oponente acreditar que seu foco seja determinada peça/serviço estrelinha e o induza a copiar, situação já previsível por sinal, então incentive-o, enquanto ele se mata pra faturar sobre tal produção inovadora, você ganha ainda mais nome no mercado e fatura sobre um produto/serviço simples e objetivo por conseqüência.

Crie produtos, venda tais produtos, venda o manual de como copiar tais produtos, venda outros produtos atrelados, venda seu tempo em palestras falando de tais produtos, publique livros... Não brigue contra o sistema e suas falhas... Apenas quando tal briga seja jogada de marketing.

Nunca se esqueça: Oportunidades possuem prazo de validade!
Continue a criar, jamais se acomode com o sucesso de um único produto/serviço.

Outra questão que acho bastante pertinente é: Principalmente se tratando de marceneiros e hobbystas que copiam peças assinadas como um desafio a ser vencido, ou uma encomenda pontual ou poucas peças vendidas regionalmente vale à pena se preocupar? Tudo bem que podem ser muitos, mas é economicamente viável se preocupar, e pior, tentar processar algum deles se valendo dos seus direitos autorais? Uma coisa é um fabricante que trabalha com produção em série em larga escala, outra coisa é o sujeito comum e seu uso doméstico, este até devemos agradar de alguma forma usando-os como ferramenta de marketing, são "café c/ leite" a meu ver. hehehe

Quem está na vanguarda, os criadores, os líderes de mercado, lançam novidades no mercado tão rápido que os concorrentes copistas se matam tentando acompanhar... Enquanto eles estão ajustando a linha de produção para copiar o produto da moda, eis que este produto já não é mais moda, outro produto já foi lançado e a saída, e por conseqüência a lucratividade, desta cópia diminui drasticamente.

O designer de produto, Flávio Guimarães, membro do grupo, postou no debate: Num mercado ideal onde há liberdade para criar e comercializar sem que o governo faça uma amputação na metade do seu lucro, quem cria tem que continuar criando, senão a concorrência cria outra coisa melhor e a roda continua girando com incentivos à inovação.
Copiadores ficam com as migalhas deixadas para trás por quem está lá na frente criando algo.

E eu respondi: Isso num mercado ideal... Já no real tudo isso citado é apenas parte de algo mais complexo, dinâmico... Copiadores são parte importante do processo. Muitas vezes se tornam inovadores incrementais melhorando mil vezes o que os inovadores revolucionários fizeram. (Conceitos postados pelo professor de arquitetura, Cezar Augusto, em outro debate).

O Flávio finalizou: A entrada no mercado dificilmente não se dá pela cópia!!! Até o momento que um copiador percebe que se mudar algo aqui ou ali, o produto pode ficar melhor que o original copiado... Aí surge um novo criador em potencial do que foi copiado.
Uma das matérias do curso de design de produto era REprojeto. A gente tinha que desmontar um produto parafuso por parafuso, catalogar todas as peças e apresentar um relatório propondo melhorias.

Sim meus queridos, o mundo seria um lugar mais atrasado do que já é se a leis de diretos autorais realmente funcionassem a nível global. Imaginem o descobridor da cura pro câncer ter o direito de cobrar o que bem entende por sua descoberta pela eternidade? E ainda por cima ter o direito de proibir outros pesquisadores de descobrir outras curas para o mesmo mal? Pode até ser morais certas leis, pois seguem convenções e o censo comum difundido pela sociedade e o direito à propriedade privada material e intelectual, base do sistema capitalista, porém a ética é questionável, a justiça sob suspeita... Coletivo versus indivíduo. Fora que a maioria dos inventores/criadores não possuem poder econômico, capacidade, conhecimento e muitas vezes nem vontade de explorar comercialmente suas invenções/criações na produção em massa, e de forma eficiente e eficaz. Sem contar que muitos se apegam sentimentalmente às suas crias e não querem dividir com o mundo por ‘N’ motivos.

O que é certo? O que é errado?

Uma pessoa inventiva desmotivada, invenções inovadoras, porém caras demais para a maioria da população, tributos fiscais castrantes, burocracia em todas as instâncias, direitos autorais nas mãos de ogoistas.... É uma disputada na realidade de quem perde mais, a sociedade ou o indivíduo contido na mesma sociedade.

E para não finalizar: Criar uma MARCA é mais importante do que criar, copiar ou comprar bons produtos para revender, pois os adoradores de uma marca automaticamente gostam e consomem quase tudo o que esta marca comercializa. Fato!
Sim! O consumidor não é dono do seu nariz, ele é manipulável ou no mínimo influenciável, as coisas são assim.

Fato fractal!









Luiz Mariano (Autodidata apaixonado por marcenaria, design, arquitetura, arte, filosofia, psicanálise, DEBATE, ..., e principalmente por mulheres bonitas, hehehe).

Santo André, 12 de Junho de 2017.