terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Raio gourmetizador!! O alerta foi dado!

Que a informação hoje em dia é difundida na velocidade da luz não é novidade. Porém tendências de mercado que se mostram originais no inicio tendem a vulgarizar muito mais rápido hoje em dia que num passado nem tão distante assim. 

Ta Eu admito!! Palavras como Premium e Gourmet tem sobre minha pessoa um efeito devastador ! Se tem algo que chama minha atenção numa fachada seja de loja ou restaurante são essas duas palavras. 

E os food truks então??? 
Meu Deus como ninguém tinha pensado nisso antes?? 

Na gastronomia o movimento começou a tomar corpo aqui em São Paulo depois que a Juliana Motter criou a Maria Brigadeiro! (já existia há muito tempo porém de forma bem mais discreta) com seu chocolate de qualidade e as embalagens mais originais que até então alguém já tinha visto em docerias. Eu comprei para minha filha uma vez uma panelinha daquelas antigas azul calcinha com lacinho vermelho e xadrez branco com a colherinha. O chocolate era maravilhoso porém a panelinha ela tem ate hoje 3 anos depois . O que muita gente não notou naquela época e não nota ate hoje e que o diferencial dela não é o chocolate mas o conjunto, o mimo que vem junto na forma da embalagem que acomoda o produto. Nessa categoria podemos acrescentar o Hambúrguer do Seu Osvaldo no Ipiranga e também vale para os pudins maravilhosos da Forma de Pudim, os iogurtes da Delicari e o bife com batata frita do l’Entrecote d’ Olivier. 

Mas o que isso tem a ver com o nosso mercado??? 

E comum hoje ler nas fachadas de lojas de móveis após o nome o adjetivo "Premium". Porém com a banalização do termo isso acaba por se tornar um tiro no pé. Existem marcas no mercado que naturalmente conquistaram essa condição. São marcas que são sinônimos de produtos e serviços premium como Kitchens, Ornare, Formaplas entre outras. Essas empresas vendem um balcão de 1000x750x650 com duas portas de abrir a 4 mil reais o metro quadrado. Só que essas marcas construíram ao longo de vários anos uma forma diferente de comercializar seus produtos! Empresas assim buscam vender uma experiência e não apenas um produto ou serviço excelente. Se pararmos para observar uma cafeteria como o Starbucks, que consegue vender cafés por um preço muito acima da média e mesmo assim sempre há filas, notamos que as as pessoas não vão na Starbucks para tomar um café, mas para vivenciar uma experiência que pode ser aconchegante para alguns, inspiradora para outros e tranquilizadora para os demais. O mesmo ocorre com essas empresas que citei ou mesmo marcenarias de renome. As pessoas esperam as vezes 90, 120 dias para receber seus móveis e pagam um valor muito maior do que a media cobrada no mercado. 

Eu acho um absurdo quando passo na frente de uma franquia Italinea ou New e vejo a palavra Premium na fachada. Nada contra a marca inclusive acho que elas atendem muito bem ao nicho de mercado a qual foram destinadas, porém essas marcas são justamente voltadas a um publico menos exigente que busca um produto mais acessível. São marcas criadas justamente para preencher uma lacuna quando suas fabricas resolveram “subir” suas linhas no caso do exemplo citado Todeschini/italinea e dellano/new. É como colocar um jogo de rodas de 10 mil reais num carro popular.

Como muita gente passou a usar o termo gourmet ou no nosso caso premium, nem tudo que é realmente muito acima da média ou muito sofisticado é “premium” de fato. E isto pode ser uma constatação negativa se o cliente estava realmente esperando uma experiência muito acima da media e não teve, ainda mais em um mercado tão carente de mão de obra como o nosso. 

Nas atuais condições, utilizar o adjetivo “premium” já pode levantar uma dúvida sobre o produto tipo: “São Tomé, ver-para-crer”. O cliente já chega com uma expectativa alta e, nestas condições, o produto ou serviço precisa ser excepcionalmente bem executado em todos os sentidos para oferecer uma experiência realmente única. Quem é “premium” de fato não precisa ficar usando o termo para se diferenciar da concorrência. Todos os dias precisamos nos reinventar e acima de tudo precisamos enxergar o mercado a nossa volta e entender os sinais que ele nos passa. Quando conseguirmos fazer isso o risco de jogar o planejamento de um ano inteiro no lixo fica bem menor. 

A minha dica é:
Estude o seu publico alvo, entenda as reais necessidades dele! 
Você não vende apenas móveis, você vende sonhos, expectativas!













(Postagem Original no Grupo / Facebook)

Autor: +Anderson Martins

















Anderson Martins
Consultor Especializado no Ramo Moveleiro 
Palestrante e Instrutor de Cursos de Promob
Criador do grupo: Promob, Dicas e Ferramentas
Colaborador do grupo: Marcenaria BRASIL