terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

[Design de Móveis] Sofá Mariano by Cézar Augusto


Agora vai virar moda um designer provocar o outro! kkkk
Não tenho culpa nenhuma nesse cartório, eu não provoco ninguém! rrssr
NUNCA!!!

Apresentação do Sofá Mariano
 (Postado no Grupo: Veja Aqui)

Quando o Luiz Mariano começou com essa de 'provocar' os outro com móveis, pensei, poxa tenho que dar o troco... aí pensei, o que seria um móvel mariano? teria que ocupar espaço, vazar informação, ser um pouco difícil de executar e de manter, teria que ter um elemento vernáculo (kkkk), teria que ter alguma coisa com função duvidosa e ser igualmente acolhedor... então desenhei o sofá Mariano:






Meu... Adorei a provocação e prometo que vai ter troco. Há vai...
(Gargalhadas Macabras)

Esta criação do meu amigo Cézar está à venda.
Quem se interessar pode mandar um recado imBox para ele 
no perfil do Facebook: Cézar Augusto

Sua primeira peça de cunho artístico autoral já está saindo do 3D...
Ele vendeu sua primeira peça e agora não vai mais parar, com certeza. hehehe




Cézar Augusto

Arquiteto e Urbanista formado pela UFMG

É atualmente estudante de Mestrado em Ambiente 
Construído e Patrimônio Sustentável em UFMG

De Itabirito – MG


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

[Ramo Moveleiro]: Panorama Contemporâneo


Produções contemporâneas inspiradas no neoclassicismo convivem com o modernismo assim como o negro convive com o branco. Para a sociedade contemporânea é impossível adotar um único estilo bem como uma única religião.

O fato é que em nossa atualidade nenhum movimento filosófico conhecido predomina. O que podemos perceber é que cada linha de raciocínio é aplicada na atividade que lhe convém. No caso do ramo moveleiro, por exemplo, cada especialização sintetiza uma forma
diferente de ver as coisas.

Produção em série de móveis voltados às grandes massas é toda baseada nos conceitos modernistas, pois a filosofia é sempre fazer mais com menos e simplificar ao máximo os processos para reduzir custos, o valor que prevalece é produzir algo que seja útil e caia no gosto do maior número de pessoas. O consumidor é tratado como usuário. Razão acima da emoção.

Já para o ramo de móveis projetados sob medida poderíamos classificar o pós-modernismo como predominante, já que a personalização e exclusividade que valoriza o gosto pessoal do indivíduo estimulando o sentimento de posse é a premissa básica desta atividade. Vários signos são anexados ao projeto.

Podemos incluir também os móveis avulsos de cunho autoral na linha pós-modernista, pois neste caso o produto assume uma gama maior de signos agregando um valor artístico. São exploradas certas necessidades complexas do ser humano que regem sua interação com a sociedade mexendo com o lado emocional do consumidor.

Em todos os casos a atual preocupação com a sustentabilidade se faz presente. Isso passou a ser requisito básico para a sobrevivência das empresas, mesmo que só aplicada superficialmente. Mas aos poucos isto esta deixando de ser apenas uma ferramenta de marketing para assumir resultados mais concretos.

Agora falando de modulados é fato que o “styling” predomina, onde o novo pelo único valor de ser novo é aplicado. Este mercado segue a mesma linha do ramo de vestuário onde uma pequena classe de criadores regem a moda que é absorvida por todo o seguimento nos dois hemisférios do globo. Obviamente que os conceitos modernistas prevalecem na linha de produção, mas no resto valores complexos são anexados ao produto. Valores extremamente efêmeros, mas não menos importantes perante a sociedade.

Com certeza em todas as especializações os conceitos se misturam, e em situações especiais ora um prevalece, ora outro predomina. Mas precisamos deixar claro que movimentos ultrapassados ainda se fazem presentes. Esta antiga necessidade de copiar o passado nunca vai acabar. Muitas empresas adotam um estilo retrô com uma interpretação atual utilizando os materiais disponíveis somado aos avanços tecnológicos. Atitude bastante criticada pelos teóricos de plantão, mas vai de encontro com uma necessidade complexa de consumidores que buscam um passado, e na falta de algo verdadeiro acabam consumindo estes produtos. Mas ao mesmo tempo é uma negação dos erros e defeitos que esse passado verdadeiro revela, pois mesmo podendo adquirir móveis antigos (vintage) o indivíduo prefere a ilusão de reescrever o passado com um aspecto perfeito, novo. Desprezando o fato de que esses erros e defeitos caracterizam a própria história do móvel, da família, pois cada risco de um tampo representa a ação de uma pessoa, uma vivência, um acontecimento, uma lembrança. Não levemos em consideração que a história que os móveis de antiquário possuem é a história de outras pessoas, de outra família, já que de certa forma o valor continua, pois o que prevalece é o espírito coletivo onde a história pertence a todos e um dá continuidade à história do outro.

Mais um atrativo dos móveis antigos e por conseqüência dos retrô são os ornamentos predominantes que cultuam a natureza, tendo em vista que ela está em evidência hoje, ontem e sempre.

Nesse contexto fica claro que nossa sociedade experimenta uma liberdade jamais vivenciada anteriormente. Um indivíduo que queira montar um boteco, por exemplo, jamais vai pagar mais caro num banco assinado por um renomado designer se sua necessidade se concentra apenas na utilidade do banco. Já para um balcão de espera de um restaurante fino a coisa muda de figura. Cada caso é um caso! Até pouco tempo atrás a ordem era que todos os bancos deveriam ser apenas bancos (modernismo), e mais atrás todos os bancos eram “obras de arte” carregados de ornamentos (classicismo, rococó, neoclassicismo, renascentismo, etc.). O consumidor não tinha muita escolha e os que teimavam em não seguir os padrões adotados pela sociedade eram repudiados pela mesma. Alguém pode até dizer que bancos simples sempre existiram. Sim, é verdade! Mas em determinada época para fazer parte da sociedade você tinha que sentar no banco e frequentar o local que ela determinasse como o modelo adequado.

Não podemos classificar e muito menos denominar o movimento filosófico atual. Isso fica a cargo dos futuros historiadores, mas é evidente que houve uma evolução, pois os aspectos positivos de cada movimento do passado estão sendo aproveitados e freqüentemente questionados. Creio que a razão sempre predominará, pois assumir e conduzir a emoção e os sentimentos é extremamente racional.

A palavra de ordem é SOMAR!

Santo André, ‎22‎ de ‎Março‎ de ‎2012

+Luiz Mariano

(MARCENEIRO)


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

[Design de Móveis]: Criações 3D / Luiz Mariano:

Fiz tudo na zueira, mas são peças executáveis!!!hehehe


Bancada Mondriânica: 
As peças se encaixam e se movimentam permitindo várias configurações.






Bancada Assimétrica:
A busca contínua das formas inusitadas.





Banco de Shopping Cata-Puta:
O conceito é utilizar caibros e fazer cortes apenas no comprimento. 
O suposto erro no título foi uma gozação proposital.




Banco Gafanhoto:
Este tenho um encomendado!!hehe
Assim que eu fizer posto as fotos aqui.






Banco Erótico:
Inspirado numa mulher de quatro! hehehe
Esta provocação eu fiz para ilustrar um tema de um debate que participei 
numa comunidade do Orkut há trocentos anos atrás. kkkk




Bangata:
Uma das criações mais populares que fiz.




 Linha Cisne:
A ideia é usar o Compensado Flexível.



Linha Leque: 


Protótipo da Cadeira Leque:
Elaborado com sobras de MDF.



 Casa Maluca
Nesta proposta bastou elevar/inclinar o piso no canto para "desconstruir" 
todo o projeto obtendo um resultado estético bem confuso. hehe
 

Linha Cata Vento:




Mesa de Canto:
Gavetas c/ Abertura Automática ao Toque.


Mesa de Encaixe:




Mesa de Centro
Exageradamente decorada com figuras vazadas e tampo 
de vidro em forma de coração como provocação.




Mesa Gestalt:
Esta mesa foi criada para demonstrar e defender as Leis de Gestalt aplicadas em móveis.
Segue o link do tópico em questão: Gestalt.






Zueiras e mais zueiras:
O conceito foi pegar qualquer coisa e transformar em móveis.
O intuito foi testar minha capacidade criativa.







Home:
A busca contínua das formas inusitadas.[2]





Bancada Retrô:
Fui desafiado no grupo de marcenaria a fazer uma 
interpretação moderna utilizando estes pés clássicos. Pegando a
peça da direita como referência criei a da esquerda.




Mesa Semiótica:
Esta composição criei para um tópico sobre semiótica aplicada a interiores.
Segue o link sobre este tema: Semiótica





Cadeira Desmontável:
Esta foi uma provocação de uma amiga virtual que 
simulou uma encomenda/desafio. hehe




Mesa Êntase:
Reprodução em um móvel do efeito das antigas colunas gregas que 
possuíam afunilamento para anular o efeito da 
perspectiva em determinado ponto de vista.






(MARCENEIRO)






segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Designers e arquitetos não passam de decoradores recalcados!!!



Como não posso ser complacente com essa aversão infundada e tendenciosa à decoração pretendo aqui tentar esmiuçar um pouco esse tema e quem sabe motivar aos amigos do grupo defenestrar de sua consciência esse preconceito congênito e quase arquétipo que se estende a toda sociedade.

Tanto o designer quanto o arquiteto defende fervorosamente que seu trabalho parte da premissa de equilibrar função e estética. Mas o que vem ao certo ser função e estética e quais suas implicações? Pois bem... Função está ligada à utilidade prática do objeto/ambiente, já a estética busca a harmonia das formas. Mas ao inserirmos a preocupação estética ao nosso trabalho, eis que inúmeras vezes transgredimos a própria função que se perde em meio a um turbilhão de valores simbólicos. Na arquitetura e no design a função sempre fica em segundo plano, consciente ou inconscientemente.

No intuito de embasar meus argumentos posso citar Jean Baudrillard em “O Sistema dos Objetos” onde ele afirma que só o objeto técnico no âmbito da aeronáutica, marinha, os grandes caminhões de transporte, as máquinas aperfeiçoadas, etc., segue intrepidamente sua função numa linha quase pura. Nesses objetos a preocupação estética é totalmente desnecessária e inexistente. E isso também pode se estender aos ambientes. Já o objeto cotidiano e o ambiente de uso comum possuem sua função deturpada pela preocupação estética submissa a efemeridade da moda e seus valores subliminares.

Ora! É fato que a decoração é uma ferramenta intrínseca à busca da boa forma (estética), pois só a manipulação da forma é por vezes insuficiente ao ato de harmonizar o objeto/ambiente. Neste sentido é do entendimento de todos que o ato de decorar (que aqui podemos adotar sinônimos mais eufemizados como ornamentar, enfeitar, adornar, embelezar, etc.,) não pode ser dissociado da estética. Vejam bem que decorar é muito mais do que apenas escolher vasinhos bonitos, cortinas elegantes e peças assinadas por designers famosos. Praticamente tudo o que fazemos é decorado, e no objeto/ambiente moderno podemos até afirmar que os adornos em sua antiga manifestação foram abolidos, mas na verdade eles só mudaram de aspecto, pois hoje brincamos com as nuanças das cores, texturas, brilho, fosco, acetinado, rústico, liso, etc. Até o ato de inserir no ambiente ou associar ao objeto elementos da natureza como fogo, ar, água, terra quando foge da necessidade funcional é decoração, mas mesmo possuindo uma função ainda pode ser decorado e/ou decorar. E mesmo na busca desvairada pela boa forma cometemos o pecado de decorar, pois ao aumentar, diminuir, extrair ou inserir partes desnecessárias ao objeto/ambiente estamos decorando.

Qual seria a origem “patológica” dessa aversão desmedida?

Modernismo x Revolução Industrial é a resposta com certeza! Tendo em vista que a racionalização excessiva de tudo e de todos que predominou nesta fase de mudanças extremas violentou a relação do ser consciente com seu inconsciente criando um hiato entre ambos. Com isso o ser humano perdeu o significado de sua vida ao negligenciar parte tão fundamental de sua psique e o sentimento de que “Deus estava morto” passou a dominar esta fase negra marcada pelos absurdos causados pela loucura coletiva antagônica ao racionalismo, ou seja, em sua busca frenética pelo que era racional o homem conheceu o lado mais sombrio do seu irracional (o Nazismo é o melhor exemplo disso). Neste campo ligado à psicologia eu invoco “O homem e seus símbolos” de Carl G. Jung onde ele defende todas as manifestações do subconsciente, e a decoração é uma delas, como algo essencial ao equilíbrio mental do ser humano. Digamos que tudo o que é belo é uma expressão do subconsciente. Mas voltando ao Jean Baudrilhard, eis que isso também serve como expressão racional do ser para com outro ser e para com a sociedade a qual pertence. É através dos objetos/ambientes que transmitimos as mais variadas e complexas mensagens subliminares aos demais humanos além de tentar suprir nossas próprias necessidades complexas. Podemos citar como exemplo o macho que possui um pênis pequeno e busca no carro uma forma de compensar o que lhe falta e a mulher que sente um vazio interior que abarrota sua casa com quinquilharias no intuito de preencher este vazio. Mas por outro lado esse macho pode apenas estar querendo alcançar certo status perante a sociedade e essa fêmea pode estar buscando embelezar sua casa para concorrer com suas amigas e familiares.

Se até os defensores do abstrato falharam na sua luta contra o naturismo expressando sua arte inconscientemente inspirada na microfísica (O homem e seus símbolos), eis que de forma análoga os designers e arquitetos repudiam a essência do seu trabalho ao taxar tão negativamente a decoração ou rebaixá-la a uma mera “cerejinha do bolo”.

Mas deixando as divagações de lado e voltemos aos fatos finalizando esta postagem...
Todos os seres humanos são decoradores em potencial. E os designers e arquitetos possuem este potencial melhor desenvolvido. Sendo assim o seu trabalho é proporcionar e facilitar uma comunicação mais eficiente entre o cliente e seu interior e principalmente com o exterior (não só com o consciente, mas com o inconsciente alheio e coletivo também).

No fim somos todos decoradores que vendem status. E até ao negar a busca pelo status assumimos um determinado status!

Santo André, 17 de julho de 2013.



(MARCENEIRO)




sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O Fim da Tirania Arquitetônica

Estudar cinco anos ou mais em uma academia para conquistar um diploma mexe com a cabeça das pessoas. Um pensamento Lloydiano toma conta do recém formado e pode perpetuar por toda uma vida profissional. Essa linha de raciocínio do século passado, completamente ultrapassado, que o importante arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright (1867-1959) defendeu, consiste em conceber e realizar o projeto da planta às luminárias seguindo uma ornamentação orgânica onde cada peça inserida faz parte da obra como as folhas fazem parte da árvore. Especializado em projetos residenciais, Lloyd contratava vidraceiros, marceneiros e serralheiros para seguirem seus projetos à risca nos seus mínimos detalhes. Qualquer alteração não determinada por ele antes ou depois da realização do projeto eram abominadas e interpretadas como foco perigoso de contaminação decorativa. Com seus projetos totalmente autorais ele considerava ornamentação como parte intrínseca de sua arquitetura enquanto os demais não passavam de decoração banal e fantasmagórica. Sua perseguição à decoração não se limitou aos artesãos chegando ao cúmulo de proibir categoricamente intervenções ornamentais dos próprios moradores. Para estes ele costumava dizer que o direito à decoração se resumia às flores frescas em belos vasos no nicho reservado a eles. O brilhantismo e a importância deste personagem (Lloyd) é incontestável, mas o avanço da arquitetura moderna sobre as artes decorativas resultou no seu empobrecimento. E percebemos fortes vestígios desta estratégia de atuação retrógrada em nossos arquitetos contemporâneos que teimam em impor à sociedade seu conhecimento acadêmico como verdade absoluta que na prática não representa a realidade. Em contrapartida existe a outra leva de arquitetos decoradores que teimam em seguir à risca os modismos do mercado com seus ornamentos banalizados, arquitetos estes que o próprio Lloyd e muitos outros já repudiavam com veemência em suas épocas.

Mas mesmo hoje sabemos que existem arquitetos e arquitetos, e já naquela época existiam profissionais de forte expressão que defendiam uma filosofia de certa forma oposta, mesmo continuando na linha modernista completamente avessa ao ornamento supérfluo. O arquiteto austríaco Adolf Loos (1870-1933) foi um bom exemplo. Segundo Loos, livres da influência dos artistas e arquitetos, os artesãos eram capazes de criar uma linguagem moderna para os objetos. Se os artistas decorativos estavam permanentemente preocupados em aproximar a arte da vida e em realizar formas radicalmente novas, e se os arquitetos eram incapazes de se desprender dos repertórios ornamentais, os artesãos, segundo Loos, faziam aquilo que precisava ser feito, ou seja, procuravam investigar as qualidades de cada material de modo a atender às necessidades objetivas de seus clientes. Embora não estivessem preocupados em criar coisas absolutamente novas, os artesãos, segundo ele, eram insuperáveis na criação de formas genuinamente modernas, mais simples e despojadas. O segredo da sua modernidade espontânea e imediata estava no alto grau de intimidade estabelecida com os materiais.

“Quando se trabalha unicamente a pedra, consegue-se pensar pedra, ver pedra. O homem tinha um olho pedra, que petrificava todas as coisas. O homem tinha adquirido uma mão de pedra, que transformava tudo espontaneamente em pedra. Sob o seu olhar, na sua mão, a folha da vinha, a folha do acanto, tinha um aspecto diferente daquele que sob o olhar, na mão, do ourives. Pois esse via tudo em ouro.” (Adolf Loos em “Os móveis de 1898”).

Naquela época na Inglaterra uma forte corrente mais centralizada nas atividades dos ceramistas, expeliu os artistas e arquitetos. Os ingleses diziam que não se deve desenhar, é preciso fazer. Misturem-se às pessoas e procurem saber o que querem. E quando vocês tiverem compreendido suas necessidades reais, ponham-se diante do forno ou do torno. A partir deste ponto o consumidor final adquiriu o hábito de ir encomendar suas cerâmicas direto ao ceramista.  Adolf Loos atento a esta corrente percebeu que ela se alastrou por toda a Europa influenciando outras atividades artesanais.

 Voltando à nossa realidade atual, eis que a coisa se repete. Não vamos entrar no mérito da importância do arquiteto para a construção civil que já se encontra bem abalada. Vamos focar em interiores onde se tornou comum o morador assumir a ornamentação de sua residência somando capacidade criativa aos artesãos. Precisamos de móveis sob medida vamos ao marceneiro, precisamos de vidros vamos ao vidraceiro. E com a era da informação livre e de fácil acesso podemos perceber uma evolução jamais presenciada dos projetos auto-concebidos. Fora o acesso livre também ao campo teórico/acadêmico onde basta possuir interesse pra ler os mais diversos livros, campo fértil aos autodidatas como eu. A própria ferramenta “projeto” caiu em domínio público e diferente dos ceramistas ingleses de outrora que dispensavam o desenho, eis que atualmente até um simples marceneiro pode se apropriar de avançados programas que geram projetos em 3D que são automaticamente transformados em executivos facilitando a expressão de seu impulso ornamental somado à sua capacidade criativa. Mesmo antes do projeto virtual, estes artesãos já dominavam o traço à mão livre e com um simples rascunho criavam peças com formas e ornamentos genuinamente contemporâneos. E exatamente por seu trabalho se afastar do extraordinário e muito menos cultivar esta pretensão, ele se mistura ao que é comum, passa despercebido e não é classificado como arte. Mas o que seria arte hoje em dia? E principalmente o que seria ético? Pois ornamentar móveis e construções seguindo estilos ultrapassados é no mínimo questionável. Não conhecer da história da arte permite ao artesão viver o presente.

Obviamente que como Marceneiro acabo enaltecendo o trabalho do artesão e valorizando sua importância perante a sociedade contemporânea. Ao contrário do que muitos pensaram, a indústria com sua produção em série não conseguiu no auge de sua perfeição e eficiência atender a todas as necessidades complexas do ser humano. E assim, em pleno século XXI, eis que o artesão volta a ganhar lugar de destaque. Estamos passando por um momento histórico onde a palavra de ordem é SOMAR, pois em uma residência atual o objeto industrializado divide espaço com o artesanal. Deixamos a máquina fazer o que ela faz melhor e o artesão se encarrega de chegar aonde as máquinas não chegam, realizar o que elas não realizam, muitas vezes, mais por questões financeiras em relação à quantidade de peças a serem executadas do que pela falta de capacidade por parte da máquina em realizar determinada tarefa. Na verdade o artesão contemporâneo esta se apoderando das máquinas e inserindo elas em seu meio produtivo elevando seu trabalho a um nível impressionante. Hoje é comum em uma pequena oficina de marcenaria a presença de um sofisticado Centro de Usinagem CNC disputando tarefas com o serrote e a plaina manual.  Outra questão que valoriza ainda mais quem “Poe a mão na massa” é a banalização e desvalorização generalizada da formação acadêmica. Fato este que proporciona ao artesão sem formação ser mais bem remunerado que o profissional graduado. Situação que só tende a se agravar aqui no Brasil seguindo os moldes europeus.

Hoje em dia a presença do arquiteto se resumi a vender status e para isto basta possuir um bom marketing para criar um nome no mercado. Ele não é pago pelo projeto e sua importância na concepção da obra/espaço, e sim pelo status que sua assinatura pode proporcionar ao cliente perante a sociedade, comportamento este que se restringe e é freqüente às classes burguesas. Mas mesmo esses indivíduos que ainda consomem este serviço acabam por contratar artesãos para complementar e quem sabe até modificar os projetos durante ou depois da obra. Virou rotina fazer a cozinha, por exemplo, que é o centro das atenções contemporâneas, com uma marca renomada de mobiliário possuindo a assinatura de um arquiteto e os demais cômodos passar para marceneiros/empresas anônimas fazerem.

Minha meta é ir além. São mais de dez anos dormindo e acordando pensando em móveis. Jamais um arquiteto que precisa se preocupar com a concepção e talvez execução de toda uma obra conseguirá competir com um profissional especializado como eu. O máximo que ele pode fazer é apontar o norte, pois basta uma questão técnica para ser necessário mudar toda a configuração de um projeto, ou seja, é mais fácil meu projeto influenciar o dele. Neste ponto tenho que concordar com Frank Lloyd, pois os  móveis podem levantar novas necessidades e/ou erros de lógica da construção, por isso fica difícil separar a obra da composição interior. É como o arquiteto Louis Sullivam (1856-1924) que influenciou e empregou Lloyd disse: “A forma segue a função.” Afirmação esta que sugere uma supremacia da função sobre a forma, mas que na verdade, segundo Sullivam, tratasse de uma relação recíproca. Acho muito interessante essa ideia que Lloyd defendia de uma única pessoa juntar todos os pontos desde a planta até as luminárias, mas para mim a participação das partes envolvidas é crucial. O ato criativo deve ser multidisciplinar. Cabe ao arquiteto separar o joio do trigo e conduzir a todos com seus argumentos. Postura esta muito diferente da tirania de Lloyd. Recentemente visitei uma obra onde as janelas dos banheiros não foram pensadas levando em consideração a instalação do box. Foi preciso um marceneiro mostrar o erro. O “arquiteto” chegou a perguntar ironicamente se eu era vidraceiro. Para fazer a adequação toda a estética simétrica da fachada seria comprometida ou o morador teria que engolir um box dividindo a janela ao meio. Detalhes, apenas detalhes, mas a perfeição mora nos detalhes.

Hoje defendo e é cada vez mais comum o cliente chamar o projetista de móveis antes de executar a reforma, pois assim o projeto exerce sua principal finalidade de prever possíveis mudanças ocasionadas pela falha de planejamento antes que elas se tornem evidentes a qualquer ser comum, e intervenções mais complicadas e onerosas se tornem necessárias. Para piorar chega a ser patética a tentativa argumentativa por parte do arquiteto em defender o erro como algo certo, algo pensado, chegando ao cúmulo de colocar a preocupação estética sobre a necessidade funcional do espaço, passando a defender a arte do improviso (verdadeiras gambiarras) para adequar o uso ao projeto, não admitindo possíveis intervenções na ideia original diante à variável eminente, mesmo durante a obra onde tal alteração não ocasionaria maiores gastos, pois para ele a função, o uso possui menor valor do que seu projeto e o morador é um mero coadjuvante. Assim o morador passa a ser apenas um usuário obrigado a sobreviver no espaço, privado da possibilidade de vivenciar o prazer de ora pertencer e ora possuir o mesmo, expelindo qualquer sentimento de valor. Não sou idiota a ponto de desconhecer a carga burocrática que pesa sobre os ombros do arquiteto que muitas vezes inviabiliza mudanças drásticas durante a obra, mas quem esta falando de grandes mudanças, estamos falando de detalhes que passam despercebidos aos olhos menos atentos que ocasionam grandes tormentos ao morador na banalidade do uso diário do espaço. Mesmo as mudanças drásticas poderiam ser previstas se o arquiteto fosse capaz de conduzir um debate sadio entre as partes envolvidas na obra em conjunto ao futuro morador já no estudo inicial. Para isso defendo a Maquete Virtual como forte ferramenta. Ela deve ser criada antes e não depois do projeto executivo, e com esse material em mãos o arquiteto pode se comunicar com eficácia com as partes envolvidas e muitas vezes ele mesmo com sua experiência pode assumir um olhar crítico sobre outra ótica perante seu projeto.

Não é segredo minha paixão pela arquitetura e aversão aos arquitetos. Rivalidade esta que visa um debate sadio e uma relação de igualdade entre as partes. Meu foco é cutucar os Leões adormecidos em sua inércia cômoda e segura. Assim como Adolf Loos, defendo que o arquiteto precisa pensar como artesão para ir além e agregar valor ao seu trabalho, mas infelizmente o cenário atual demonstra a incapacidade até mesmo do arquiteto em pensar como arquiteto.

Santo André, 26 de Fevereiro de 2012.

Fonte de Pesquisa: A Beleza sob Suspeita de Gilberto Paim.



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A Evolução dos Projetos de Marcenaria

Já ouvi muitas reclamações de que as Marcenarias teimam em produzir móveis com cara de anos 90 enquanto nossos concorrentes da linha de Modulados investem milhões em pesquisas e experimentações buscando sempre atualizar seu catálogo junto às tendências do mercado nacional e internacional.

Na verdade as Marcenarias possuem uma extrema liberdade de criação que possibilita até a criar novas soluções, mas como isso é algo difícil podemos pelo menos aderir às tendências de mercado. Tendências estas que ultrapassam as questões decorativas supérfluas chegando a soluções técnicas realmente importantes. 

Seria interessante criar hoje em dia, por exemplo, um aramado/móvel para comportar CD's e DVD’s super sofisticado sendo que as mídias atuais que ocupam menos espaço acabaram com eles? Vale a pena oferecer uma base giratória para TV se elas passaram a ser finas, leves e fixadas à parede?  

Como podemos observar os outros objetos que compõem o ambiente não pararam de evoluir. Como os móveis projetados sob medida se fundem com os objetos, as soluções precisam evoluir em conjunto.

Além dos objetos é interessante observar as mudanças de comportamento das pessoas em relação à utilização dos móveis. Tendências de móveis multifuncionais, automatizados, autoconfiguráveis, etc; devem ser levadas em consideração.


Remando contra a corrente, a Mariano Móveis Projetados busca sempre quebrar este paradigma e para ilustrar o tema em questão, nestas fotos de serviços realizados pela nossa empresa fica evidente a evolução dos móveis em conjunto com os demais objetos que compõem uma cozinha sob medida:







Este dois exemplos são trabalhos realizados há mais de cinco anos, mas com o avanço da economia muitas pessoas passaram a consumir produtos que outrora eram exclusividade das classes mais altas.







Já esta cozinha americana é um projeto executado recentemente por nossa empresa. Ao comparar as cozinhas de cinco anos atrás com uma atual podemos observar a evolução dos móveis, eletrodomésticos e objetos em geral. Obviamente que cinco anos atrás estes objetos já existiam, mas hoje fazem parte da realidade de mais pessoas.

Como a grande maioria da população não valoriza ou não identifica ser necessário contratar um Arquiteto ou Designer para projetar as alterações nos ambientes de sua residência ou comércio, eis que muitos transferem esta responsabilidade direto ao Marceneiro, Gesseiro, Eletricista, etc.

Não vem ao caso discutir aqui se esse comportamento é correto, pois não tem como mudar a cabeça das pessoas sem mais nem menos. Um empreendedor de Marcenaria deve se adequar aos fatos e assumir de vez esta responsabilidade. Como? Faça você mesmo se for capaz ou contrate alguém que seja! 

Os micro-empresários do ramo de Marcenaria , saudosistas por natureza, em sua grande maioria não se preocupam com o design do seu produto/serviço e estão presos a uma inércia paranoica. Seus portfólios só não são mais desatualizados graças aos clientes que fazem exigências especiais ou trazem projetos elaborados por terceiros que se tornam verdadeiros desafios. Mas quando cabe à Marcenaria apresentar soluções e criar o ambiente, eis que estes oferecem a mesmice de sempre. No máximo comentam por cima sobre as novidades do mercado passando a ideia de serem coisas caras e supérfluas, distantes da realidade do cliente em questão assumindo a presunção de que ele não possui capital ou perfil para adquirir tais novidades. Isso chega a ser ridículo e até cômico. Fora que a maioria destas novidades já estão no mercado há décadas.

Por experiência própria sei da dificuldade em quebrar este paradigma e buscar inovações. O medo de que nossas indicações sejam tradicionalistas e que a forma que projetamos, vendemos, produzimos e entregamos nosso produto seja exatamente o diferencial que nos mantém no mercado, atravanca qualquer iniciativa. É obvio que existem perfis diferentes de clientes e que alguns não valorizam ou não possuem condições para aderir às tendências do mercado, mas nunca podemos subestimar o poder de consumo e mudanças de comportamento de nossos clientes. E antes que as vendas decaiam a ponto de partirmos para o tudo ou nada, inserindo mudanças radicais que podem causar um impacto negativo, devemos assumir uma postura preventiva e ir aplicando as novidades em pitadas suaves. Atualizar deve ser um compromisso lento e contínuo, pois uma empresa de marcenaria não é um site da Internet que pode ser atualizado diariamente. As novidades passam por estágios de experimentação antes que se torna padrão para todos os pedidos.

Outra questão que defendo é seguir um padrão de qualidade, pois não é conveniente oferecer matéria-prima e ferragens de qualidade inferior aos clientes, já que o impulso da economia imediata ainda é forte por questão de costume ou falta de conhecimento referente às vantagens que os produtos de melhor qualidade oferecem. Produtos de qualidade representam economia a médio e longo prazo pelo fato de possuírem vida útil maior. A questão da estética e valor agregado também é crucial, pois ao ser criticado de um modo geral por parentes e amigos devido às suas escolhas, o cliente pode se arrepender e essa situação negativa vai fatalmente reduzir as possibilidades de novas indicações.

Seguindo esta filosofia desde do início de suas atividades, a Mariano Móveis Projetados assumiu o desafio de conduzir seus clientes na elaboração ou adequação de seus projetos/ambientes buscando sempre soluções contemporâneas. Jamais executamos um pedido sem questionar possíveis alterações visando melhorar a parte funcional em harmonia com a estética. A lógica racional com o lado emocional também deve ser confrontada, já que não adianta querer empurrar, por exemplo, um Rack sem porta CD e DVD se o cliente é colecionador e possui grande apego.

Nossa meta é plantar contra as desigualdades sociais criando ou trazendo o que há de melhor para nossos clientes, pois não passamos a trabalhar para as classes mais altas e sim nossos clientes que passaram a possuir um maior poder de consumo. Sendo assim fica evidente a necessidade cada vez maior de correr atrás de novas tendências, tecnologias, conceitos e design para melhor atender essa nova demanda. O que diferenciava uma pessoa de classe mais elevada como o consumo de móveis projetados sob medida, design, artes, eletrônicos, conhecimento (estudo), veículos, etc; hoje estão ao alcance de todos e a Mariano Móveis Projetados faz parte e comemora estas mudanças em nosso cenário nacional.

Santo André, 28 de Janeiro de 2012.


(MARCENEIRO)